Yolanda Arantes não tinha como se defender, mas estava desesperada para se explicar:
— Kylen, eu só queria que você...
No entanto, antes que pudesse terminar, ao erguer os olhos, Kylen Lourenço já havia se virado e se afastado, sem o menor interesse em suas justificativas.
Observando a silhueta alta e robusta do lado de fora, viu quando ele acendeu um cigarro sob a varanda, desceu os degraus com passos largos e partiu sem sequer olhar para trás.
Yolanda cerrou os dentes, com os olhos vermelhos.
Por que ele não mencionou uma palavra sequer sobre o que aconteceu na Mansão Ocidental esta manhã?
Por que também não falou sobre ela ter contratado um assassino?
Seria por causa de seu "passe livre" — o sangue?
Afinal, qual era a utilidade do seu sangue para Kylen?
Quem exatamente era tão importante para ele?
É uma pena que, embora tenha mandado investigar secretamente, não tenha descoberto absolutamente nada.
Antes de entrar no carro, Kylen deixou uma ordem aos seguranças:
— Fiquem de olho nela. Não quero que aconteça mais nenhum acidente que a faça sangrar.
— Sim, Diretor Lourenço.
...
A noite já ia alta e todo o Jardim Sombrio estava mergulhado em um silêncio absoluto.
Vinicius Costa instruiu os seguranças que se preparavam para a ronda a fazerem o mínimo de barulho possível ao passarem pelo casarão principal, para não perturbarem o descanso da senhora.
De repente, todos ouviram um alarme estridente vindo da direção do casarão principal, logo atrás deles.
— Fogo!
A expressão de Vinicius mudou drasticamente. No segundo andar do casarão de arquitetura clássica, que antes estava completamente às escuras, chamas começaram a arder. Espessas nuvens de fumaça negra escapavam pelas janelas, engolindo rapidamente todo o edifício.
Ele imediatamente ordenou que apagassem o incêndio.
Como o Diretor Lourenço não estava, e a senhora ainda se encontrava no andar de cima, ele mesmo teria que liderar o resgate.
No exato momento em que se preparava para correr para as chamas, com um pé já à frente, ele recuou com uma expressão sombria.
Vinicius havia analisado a situação com clareza, mas Kylen parecia não ter tido nem tempo para raciocinar. Guiado apenas pelo instinto, atirou-se em direção ao mar de fogo, com o rosto impassível agora tomado por uma tensão extrema.
— Au!
— Au, au, au!
Um robusto pastor alemão desceu correndo do segundo andar, latindo freneticamente para Kylen e Vinicius.
O cão parou na frente de Kylen, ergueu a cabeça e latiu com força:
— Au! Au, au!
Aquele pastor alemão era extremamente inteligente e ágil. Se havia descido latindo sem parar, certamente havia alguém lá em cima precisando de socorro.
E a essa hora, não haveria mais ninguém no andar de cima além de Alícia!
Vinicius apertou o passo, acompanhando Kylen na disparada para o segundo andar.
E naquele exato momento, enquanto os dois entravam no inferno de chamas, uma silhueta esguia surgiu furtivamente pelo outro lado da estrutura e desamarrou uma corda da cintura — corda que havia encontrado no sótão.
O casarão era enorme, e todos estavam concentrados em apagar o fogo. Ninguém percebeu aquela figura correndo a toda velocidade em direção a um sedã preto estacionado no pátio!

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