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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 228

O som das ondas e as risadas distantes preenchiam o ar, mas naquele canto específico, reinava um silêncio anômalo.

Alícia não entendia por que Lúcio a impedia de enviar a lanterna para o seu filho.

Seu coração estava cheio de pesar por aquela criança.

Ela viu os dedos de Lúcio digitarem lentamente uma frase na tela:

[Ouvi dizer que dá azar, não lembro onde.]

Tanto Alícia quanto Hélder compartilhavam uma reação curiosa em relação a Lúcio: confiavam cegamente em tudo o que ele dizia.

— Ah, entendi. — Alícia olhou para a lanterna e depois para a caneta. Decidiu então: — Então esta será para fazer um pedido de bênção.

Lentamente, ela escreveu na superfície de papel:

*Que todos aqueles que amo estejam seguros.*

— Lúcio, quer escrever algo? — Ela estendeu a caneta para ele.

Assim que fez o gesto, percebeu que um homem frio como Lúcio provavelmente não se prestaria a isso.

Para sua surpresa, ele estendeu a mão e pegou a caneta.

Alícia observou o homem agachado ao seu lado e notou a mão esquerda segurando o objeto. Sorriu.

— Não sabia que você era canhoto.

Lúcio apenas assentiu levemente. Ao lado da frase dela, ele escreveu com traços firmes e elegantes:

*Que nossos caminhos se cruzem todos os anos.*

A caligrafia era vigorosa, como um pinheiro antigo e resistente.

Alícia olhou para a frase vertical. Não imaginava que a letra de Lúcio fosse tão bonita. Aquelas palavras, reminiscentes de poesias antigas sobre fidelidade e reencontro, combinavam com a beleza da escrita.

Embora fosse uma frase tradicionalmente romântica, ela se lembrou de que Lúcio era sozinho.

Era apenas um desejo de Ano Novo; ela não deveria interpretar demais. A frase funcionava perfeitamente entre amigos também.

— Pronto, vamos soltar juntos. — Alícia levantou-se.

Lúcio sustentou a base, e Alícia apoiou as mãos nas laterais.

Narciso desceu do carro usando máscara e boné. De longe, avistou uma figura alta se afastando de Alícia em direção à estrada.

Ele observou por um segundo e correu até ela.

— O J já foi?

— Ele disse que tinha coisas para fazer.

Narciso soltou um "ah", aliviado ao ver que Alícia parecia muito melhor.

— Está com frio?

Alícia negou.

— Não. Por que saiu tão cedo?

— O vovô foi dormir, então vim. Soltou lanternas? Poxa, nem me esperou. — Narciso parou ao lado dela, olhando para o céu.

Enquanto as vozes dos dois se distanciavam, Lúcio entrou no carro, deu a partida e desapareceu na noite.

Enquanto Narciso brincava com velas estrelinha na praia com Alícia, o sino da meia-noite tocou.

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