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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 226

Lúcio estava parado do lado de fora, com a aba do boné preto puxada para baixo.

Mesmo assim, devido à sua altura muito superior à de Alícia, bastou-lhe baixar os olhos para enxergar tudo naquelas íris, outrora brilhantes e agora vermelhas e inchadas.

Ele tirou o celular do bolso:

[Passei por aqui, vi a luz acesa e resolvi subir para ver como você estava.]

Então era isso.

Na sala, a televisão exibia o show da virada. Depois do jantar, Narciso mandou limparem a sala de jantar e queria ter trazido decoradores para enfeitar a casa com temas de Ano Novo — flores brancas, luzes douradas e arranjos festivos — para dar mais vida ao ambiente.

Mas Alícia vetou.

As risadas vindas da televisão apenas acentuavam o silêncio e a falta de vida dentro da casa.

Um traço de constrangimento cruzou o rosto de Alícia. Ela forçou um sorriso com os olhos marejados e levou a mão à nuca.

— Sou uma mulher rica, sabe como é... Posso passar o Ano Novo onde quiser... dá tudo no mesmo.

Seus olhos úmidos brilhavam com uma luz frágil. Através do tecido felpudo do bolso do pijama, era possível ver que sua mão estava fechada em punho, tremendo.

[Quer sair?] — Lúcio estendeu o celular diante dela.

Alícia encarou aquelas duas palavras, atônita. Ergueu o olhar para os olhos castanhos profundos de Lúcio e assentiu.

Lúcio não tinha família, passava o Ano Novo sozinho, o que, pensando bem, era uma situação pior que a dela.

Enquanto ela foi ao quarto se trocar, Lúcio permaneceu no corredor. Ela o convidou para entrar, mas ele não quis.

Era um homem teimoso.

Ela foi até o hall de entrada calçar as botas. Quando ia sair, Lúcio ergueu a mão, pegou um cachecol bege pendurado no gancho e estendeu para ela.

Havia bastante gente na areia. Grupos reunidos, alguns soltando pequenos fogos de artifício no chão, outros brincando com velas estrelinha e girândolas.

Ao ver as velas estrelinha, Alícia lembrou-se da véspera de Natal, quando tinha quinze anos. Alcides a tinha irritado, e, num surto de culpa, comprou uma pilha daquelas velas faíscantes para pedir desculpas.

A criança que existia dentro dela despertou imediatamente.

Porém, com a vela na mão, ela não encontrava fogo para acendê-la.

Quando se preparava para correr e pedir ao Sr. Batista, virou-se e viu Kylen encostado na varanda, fumando. Seus olhos negros e frios pareciam pousar nela com descaso.

As lanternas vermelhas da varanda balançavam ao vento, colidindo e fazendo um som ritmado, tal qual o coração dela, descompassado.

— Kylen, você tem um isqueiro? — Ela correu até ele, e ninguém saberia dizer se o rubor em seu rosto era timidez ou o reflexo das luzes.

— Não vai me chamar de irmão mais velho? — provocou ele.

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