— Você já não ligou? Não pode falar pelo telefone mesmo? — Alícia não suportava aquele teatro de Alcides.
— Vou falar pessoalmente.
Alícia suspirou, segurando o celular com uma mão e soltando o cinto de segurança com a outra.
De repente, uma mão com luva elástica preta segurou seu pulso.
Alícia parou e olhou para cima, encontrando os olhos castanhos profundos e sombrios de Lúcio.
Sabendo que Lúcio estava preocupado com sua segurança — afinal, se ele não tivesse chegado à ponte sobre o rio naquela noite, as consequências seriam impensáveis —, ela sorriu e disse:
— Ele é o Alcides. Crescemos juntos. Ele só serve para me enojar, mas não vai me machucar.
O telefone ainda não tinha sido desligado. Sua declaração de confiança, dita com um sorriso, foi transmitida palavra por palavra para o outro carro, chegando aos ouvidos de Alcides.
Os nós dos dedos dele, segurando o celular, ficaram brancos de tanta força. Ele fechou os olhos brevemente e desligou.
Alícia desceu do carro, mas Alcides continuava sentado no dele.
Alícia revirou os olhos, impaciente. Com aquele frio, apressou o passo até ele.
Só então Alcides desceu do veículo.
Ele segurava um cigarro aceso em uma mão e vestia apenas uma blusa fina de cashmere preta. A outra mão estava no bolso da calça social; não se sabia que tipo de pose ele estava tentando fazer.
Alícia desviou o olhar.
— Fala logo.
— Por que tantos seguranças? — Alcides deu um passo à frente, olhando para trás dela.
Ele cheirava forte a cigarro, e seus olhos estavam cheios de veias vermelhas, parecendo extremamente abatido. Não se sabia o que ele tinha feito antes de vir.
Ela franziu a testa, mas respondeu:
— Arranjei inimigos.
— Foi por causa desse seu trabalho de merda que você provocou quem não devia de novo, não foi?
Alícia não gostou do que ouviu. Ele podia dizer que o trabalho dela era perigoso, podia dizer que ela não tinha noção do perigo, mas não podia chamar o trabalho dela de "trabalho de merda"!
— Se veio aqui só para me criticar, pode dar o fora.
O rosto de Alcides se contraiu. Ele, que mordia o cigarro, tirou-o da boca e o jogou com força no chão, fazendo faíscas voarem!
— Alícia, você está pedindo para morrer, porra!
A expressão de Alícia esfriou. Ela estava prestes a xingar de volta, mas ao ver a fúria de Alcides, uma suspeita ruim surgiu em sua mente.
— Você sabe quem eu provoquei?
Nem Julian sabia sobre o assunto de Gustavo. Se Alcides sabia, então era muito provável que ele fosse a pessoa da Família Lourenço que estava em conluio com Gustavo.
No entanto, Alcides agarrou a mão dela e forçou a caixa contra sua palma.
— É uma pulseira, escolhi há muito tempo. Se você ousar jogar fora, vai se ver comigo.
Mal ele terminou de falar, Alícia fez menção de jogar a caixa longe.
O rosto de Alcides se tencionou:
— Você!
Mas foi apenas um drible de Alícia. Ela jogou a caixa diretamente no banco do motorista do carro dele, cuja porta estava aberta.
— Não quero seu presente. Você está fedendo a cigarro, vá embora logo.
Dito isso, ela se virou e caminhou em direção ao carro de Lúcio.
De repente, Alcides agarrou o pulso dela, parou na frente dela e disse com ferocidade:
— Quando você fez dezoito anos, Kylen passou o aniversário com você. Foi você quem escolheu o lugar, e ele te deu uma estátua de argila qualquer que você tratou como um tesouro. Eu te dou joias valiosas e você nem sequer olha!
Inexplicavelmente, Alcides sentiu um olhar gélido pousar sobre ele. Ele levantou os olhos instintivamente para procurar a origem, mas não viu nada.
Aproveitando a distração dele, Alícia soltou a mão e franziu a testa, irritada:
— O que te importa? Isso era problema meu!

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