Do nada, por que ele tinha que mencionar aquela raposinha!
Furiosa, ela empurrou Alcides, que tentava barrar sua passagem. De repente, parou, levantou o pé e pisou com força no peito do pé de Alcides. Em seguida, caminhou rapidamente e entrou no carro de Lúcio.
O rosto de Alcides se contorceu de dor, mas entre as sobrancelhas havia um ar de impotência. Ele só pôde olhar pelo para-brisa para Alícia, que, ao entrar no carro, parecia ter encontrado um porto seguro.
E o porto seguro dela...
Alcides desviou o olhar do rosto dela para o banco do motorista.
Um homem usando boné preto e máscara preta.
Alícia colocou o cinto de segurança e, de repente, Lúcio lhe entregou um pacote de lenços umedecidos antissépticos.
— Para que isso? — Alícia olhou para ele sem entender.
Lúcio tocou na tela do celular algumas vezes com uma mão.
[Ele tocou na sua mão agora há pouco. A gripe está em alta ultimamente, é perigoso ter vírus.]
— Você tem razão, é melhor prevenir. — Alícia, obediente, tirou dois lenços e limpou bem as duas mãos.
Só então Lúcio ligou o carro e entrou no condomínio.
Observando as luzes traseiras do carro, Alcides ficou parado por um tempo antes de se virar e voltar para o seu próprio veículo.
Ele pegou a caixa de veludo vermelho no banco do motorista, guardou-a no porta-luvas, acendeu um cigarro e tragou com força.
— Essa jornalista foi à minha sala privada fazer uma investigação secreta. Não me importa se ela conseguiu filmar algo ou não. Quem ousa vir até mim procurando a morte merece um fim rápido.
— Diretor Lourenço, aguardo suas boas notícias.
— Acredito que nossa cooperação será cada vez melhor. Com a sua capacidade somada ao meu assistente, o Grupo Financeiro Lourenço e a Família Lourenço logo serão apenas seus. No futuro, ainda precisarei contar com o Diretor Lourenço.
As palavras de Gustavo ainda ecoavam em seus ouvidos.
Aquelas águas turvas da fronteira... uma vez que se pisa nelas, não há volta.
Na calada da noite, o carro entrou na garagem subterrânea da mansão. O assistente se adiantou para abrir a porta.
O assistente seguiu seus passos de perto.
— Diretor Alcides, hoje ao entardecer, o departamento financeiro enviou uma notificação de punição administrativa para os e-mails de todos os altos executivos. Veio direto do escritório da presidência.
— Quem foi punido?
O assistente ficou com o semblante pesado:
— Igor, Santiago e...
Alcides parou de andar. Uma parede de vidro à frente refletia metade do seu rosto sombrio.
— Eu também fui punido?
— Sim.
— De dia, Kylen foi a um hospital da Família Lourenço e ficou preso no elevador, o que o irritou. Após uma investigação, descobriram que o elevador não tinha passado pela manutenção no prazo, e os responsáveis pelos elevadores do hospital foram indicados por eles dois, que desviaram bastante dinheiro.
— Os dois foram demitidos diretamente, mas o senhor sofreu uma redução salarial.
Apenas uma redução salarial. Alcides não se importou muito com isso.
Pensando nisso, Alícia esticou os membros, relaxando o corpo cansado do dia, e o sono a envolveu.
— Alícia ainda é pequena, dê uma chance a ela.
De quem era essa voz?
Alícia lutava para acordar do sonho. Ela não conseguia lembrar de quem era aquela voz. Por que era tão familiar e, de repente, ela não conseguia recordar?
A silhueta vaga daquele jovem apareceu novamente.
Alícia correu atrás dele, mas quanto mais corria, menor ficava a distância entre os dois.
Ela baixou a cabeça e viu seu próprio corpo encolhido, usando um vestido de margaridas, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Não muito longe, seus pais jaziam mortos diante de seus olhos, segurando armas.
Alícia abriu a boca para gritar.
De repente, seu corpo foi erguido no ar, e alguém a abraçou.
Um beijo morno e suave pousou em sua testa.
— Está me procurando?
Ela levantou a cabeça bruscamente e encontrou um par de olhos negros e frios.
— Kylen!
Alícia gritou e acordou sobressaltada do sonho.
Ela ofegava pesadamente. A luz do sol entrava pela fresta da cortina mal fechada, iluminando seu rosto pálido e a testa coberta de suor frio.

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