Gustavo sorriu e fez o convite:
— Já que nos encontramos por acaso, o Diretor Lourenço me daria a honra de um drink?
Kylen sentiu o corpo da pessoa que protegia atrás de si retesar-se levemente. Ele curvou os lábios.
— Sr. Soares, por favor.
A desenvoltura e a calma de Kylen em cada gesto fizeram um brilho severo passar pelos olhos de Gustavo.
Quem poderia imaginar que o agente infiltrado, que há dez anos causou tantas perdas de homens e mercadorias na fronteira, seria o jovem Kylen daquela época.
Ele virou levemente a cabeça para olhar a pessoa sendo levada por Vinicius para o elevador, mas as portas se fecharam antes que pudesse ver sequer um traço de seu rosto.
No camarote, tudo o que não fosse bebida já havia sido removido da mesa.
Parecia apenas uma reunião comum.
Gustavo indicou o lugar de honra para Kylen.
— Diretor Lourenço, por favor.
No elevador, o olhar de Vinicius varreu friamente Hélder, que estava ao lado de Alícia.
— Sra. Serra, não se feriu?
Felizmente, ele e Alícia tinham um acordo: quando ela fazia suas investigações secretas, ele a seguia discretamente à distância. Se algo acontecesse, ele intervinha imediatamente. Caso contrário, hoje Alícia teria sido capturada pelos homens de Gustavo antes mesmo de encontrar Kylen.
Alícia balançou a cabeça, parecendo um pouco distraída.
Vinicius manteve-se numa postura ereta ao lado.
— Quem provoca Gustavo acaba esfolado vivo ou com a família arruinada. No futuro, independentemente do motivo, a senhora não deve se aproximar de alguém assim.
Hoje, foi apenas porque encontrou Kylen que Gustavo recuou.
A porta do elevador se abriu, não no térreo, mas no andar de descanso dos funcionários.
Os três saíram do elevador e Vinicius barrou Hélder.
— O seu trabalho acaba aqui.
— Como assim acaba aqui? Proteger a Sra. Serra é o meu trabalho. — Hélder tentou passar pelo bloqueio de Vinicius para chegar ao lado de Alícia.
Vinicius lançou-lhe um olhar gélido.
— Espere no carro.
Conseguir remover esse tumor da Família Lourenço seria uma forma de pagar a dívida de gratidão pelos anos que a criaram.
Quanto ao resto, ela e Kylen não tinham mais nada a dizer.
Na verdade, ela não queria vê-lo novamente.
Ela soltou os cabelos e, aproveitando a pouca luz, tentou contornar a sombra para chegar à porta.
De repente, uma mão pressionou o painel da porta.
A mão desceu lentamente. Assim que as pontas frias dos dedos tocaram o dorso da mão dela, Alícia recolheu-se como se tivesse levado um choque. A maçaneta já estava sob o domínio do homem.
A voz fria e familiar soou ao pé do seu ouvido:
— Nunca desconfiou de mim?
Alícia apertou os dedos com força e disse friamente:
— Eu posso ser cega no amor, mas isso não significa que não tenha meu próprio julgamento.
Quanto aos princípios de Kylen nesse aspecto, ela nunca duvidara.

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