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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 146

Aqueles homens tinham vindo da fronteira e não conheciam Kylen.

No entanto, a aura gélida e imponente que ele emanava era excessivamente poderosa, fazendo com que recuassem instintivamente.

A máscara no rosto de Alícia contraía-se contra a pele a cada respiração ofegante.

Ao seu ouvido, o som das batidas cardíacas do homem, firmes e ritmadas, ecoava contra os tímpanos frágeis.

Ela o odiava, mas, naquele momento crítico, via-se forçada a depender do poder dele. Essa intensa dissonância causava-lhe uma dor insuportável, queria soltar-se daquela mão e fugir pela escada de incêndio levando Hélder consigo.

Mas, antes que ela pudesse sequer mover-se, Kylen soltou-a e empurrou-a para trás de si, protegendo-a com o próprio corpo.

A respiração de Alícia estava descompassada. Seus olhos claros, acima da máscara, brilharam com um matiz estranho enquanto ela fitava, atônita, as costas largas do homem à sua frente.

O grupo que bloqueava o caminho de Kylen separou-se rapidamente ao meio, abrindo passagem.

Pelo corredor espaçoso, um homem de aparência culta e elegante aproximou-se com passos firmes e um sorriso no rosto.

— Então é o Diretor Lourenço. Ouvi falar muito de você.

Kylen curvou os lábios num sorriso sutil.

— Sr. Soares, que visita rara.

Sr. Soares...

Alícia percebeu subitamente que aquele homem, com um sorriso que ocultava uma adaga, era Gustavo Soares, o temido Sr. Soares da fronteira, cujo nome fazia qualquer um tremer!

As pessoas que estavam no camarote surgiram, e o corredor, antes amplo, foi tomado por uma massa escura de silhuetas.

Para onde quer que se olhasse, só se viam homens de Gustavo.

Todos com volumes salientes na cintura, claramente portando armas letais.

Ao lado de Kylen, havia apenas duas pessoas.

Vinicius, que valia por dez, e Alícia.

Gustavo observou o homem à sua frente, vários anos mais jovem, mas cuja aura não perdia em nada para a sua — na verdade, parecia até superior. Com voz suave, ele disse:

— Meus homens estão acostumados à falta de regras da fronteira e acabaram ofendendo o Diretor Lourenço. Peço desculpas em nome deles.

— Se eu permitir que meus subordinados sejam revistados por você a qualquer momento, vão começar a dizer que quem manda na Cidade Linvar é o Sr. Soares.

A atmosfera, já tensa, estava prestes a explodir.

— Diretor Lourenço, isso significa que vai protegê-la?

Assim que a voz de Gustavo cessou, seus homens levaram as mãos simultaneamente às cinturas.

Alícia ouviu o som metálico de armas sendo destravadas e seu rosto enrijeceu instantaneamente.

Mas então ouviu-se a voz calma e firme de Kylen, ressoando com autoridade:

— Gustavo, aqui é a Cidade Linvar, não a sua fronteira.

A expressão do homem elegante sofreu uma leve fratura. Após um instante, ele riu baixo.

— Sendo assim, fui imprudente. Desculpe o incômodo, Diretor Lourenço.

As armas que estavam prestes a ser sacadas voltaram aos seus lugares, e a massa escura de homens dispersou-se.

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