Depois que Alícia falou, o vestiário escuro ficou tão silencioso que parecia que só se ouvia a respiração dela.
E o corredor, de onde antes vinham vozes de conversa, parecia ter sido esvaziado instantaneamente, não havia som algum.
Talvez tenham passado alguns segundos, talvez minutos, o tempo parecia infinitamente dilatado.
— Sai da frente, eu quero ir para casa.
Alícia estendeu a mão para a maçaneta, mas a mão de Kylen envolveu a dela, pressionando-a contra a porta. Os calos finos nas pontas dos dedos dele roçaram em sua pele macia.
Ela sentiu os ombros largos do homem inclinarem-se sobre ela e, instintivamente, estendeu as mãos para empurrá-lo.
Kylen, no entanto, girou o corpo e a prensou contra a porta. Na penumbra, seus olhos escuros eram assustadoramente profundos.
— Esse assunto acaba aqui. Não é algo que você possa tocar.
Na luz fraca, os olhos pretos e brancos dela brilhavam com uma determinação firme, refletindo e queimando no olhar de Kylen.
— Todos os dias, tantas pessoas se esforçam pela estabilidade social, e algumas se sacrificam. Se for possível rasgar essa rede de crimes, a morte de uma única Alícia...
No entanto, antes que ela terminasse a frase, a mão do homem apertou seu pulso com força súbita, como se quisesse cravar os dedos em sua carne.
Kylen perscrutou a expressão no fundo dos olhos dela, a voz tornando-se subitamente sombria:
— Se quisesse morrer, não teria sobrevivido a hoje. E então? Se você morresse hoje, o que mudaria?
Hoje, Alícia admitia que tinha tropeçado. O oponente era um homem astuto e de profundas maquinações, completamente fora do que ela previra.
— Minha morte talvez não mudasse nada temporariamente, mas eu acredito que a justiça e a retidão não desaparecem deste mundo. Eles acabarão caindo um dia!
— Justiça e retidão. — Kylen soltou um riso frio e indecifrável. Ouvir isso da boca da filha de Ismael Serra era de uma ironia mordaz.
Será que Ismael, ao sabotar o avião de seus pais e causar o acidente, pensou que, vinte anos depois, sua filha diria palavras tão cheias de retidão?
A dona foi embora, mas não a levou.
Ele não conseguia ver o rosto de Kylen, apenas o viu colocar a raposa de volta na mesa lentamente, virar-se, sair e fechar a porta do escritório atrás de si.
De volta ao seu próprio escritório, Kylen sentou-se no sofá, segurando o broche de safira que Alícia deixara na mesa de cabeceira.
Também era algo que Alícia não levara.
Duas coisas que costumavam ser o que ela mais prezava, o que ela mais relutava em largar, foram abandonadas por ela.
Em seus ouvidos parecia ecoar a voz dela naquele dia no Jardim Sombrio, no quarto dele, com o rosto cheio de teimosia e raiva: "Não quero mais nada daqui!"
Kylen franziu as sobrancelhas, uma sombra pairando entre elas.
— Você disse que as informações do doador anônimo estão na fronteira?

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