Desde que Kylen deixara aquela frase na noite de domingo, Yolanda não o via há três dias.
No início da noite, ela tentou convidar Kylen para jantar, mas ele respondeu dizendo que não tinha tempo.
Ela ficou sentada no restaurante, desolada, esperando em vão, e não comeu nada no jantar.
Mais tarde, quando a empregada a levava para o andar de cima, ela desmaiou fora do elevador e caiu no chão, perdendo a consciência.
Ao chegar ao hospital, ela acordou, mas sua consciência ainda estava turva quando o médico a levou para o quarto.
O cheiro de desinfetante impregnava o ar. Quando a agulha perfurou a veia do seu braço, ela moveu os olhos e virou a cabeça para olhar o sangue fluindo pelo tubo.
Ela franziu a testa e perguntou em voz baixa:
— Por que estão tirando sangue?
— Foi ordem do Diretor Lourenço. Ele disse que queria verificar se sua anemia melhorou — respondeu a enfermeira pacientemente.
Então era ideia de Kylen.
Os lábios apertados de Yolanda se curvaram levemente.
Kylen ainda se importava com ela.
Naquela noite, ela apenas usou um pequeno truque ao enviar uma mensagem para Alícia. Como homem, sendo questionado daquele jeito por Alícia na frente de todos, era inevitável que ele se sentisse humilhado e ficasse com raiva.
Passados três dias, a raiva dele passou. Sempre que algo acontecesse com ela, ele continuaria a se preocupar como antes.
— E onde ele está? — Yolanda olhou ao redor.
A enfermeira retirou a agulha, pressionou o local com um algodão e disse:
— O Diretor Lourenço está lá fora.
Depois que a enfermeira saiu, alguém entrou no quarto.
A visão de Yolanda estava um pouco embaçada. Ao ver a silhueta alta e ereta de um homem, ela conteve a alegria que ameaçava transbordar e moveu os lábios pálidos:
— Por que veio tão tarde?
Mas quando sua visão clareou, a pessoa diante dela era Vinicius.
A silhueta de Kylen e Vinicius era um pouco parecida, e ambos tinham alturas semelhantes, então ela realmente se enganou.
No entanto, como Vinicius fora um mercenário que sobreviveu a situações extremas, seu corpo era mais robusto que o de Kylen. Com a visão turva, ela pensou que fosse Kylen.
Vinicius parou ao lado da cama e disse sem expressão:
— O Diretor Lourenço está no consultório médico. A Sra. Arantes sente mais algum desconforto?
Yolanda virou o rosto, olhando para o outro lado, claramente sem nada a dizer a Vinicius.
Depois de um tempo, vendo que Kylen ainda não entrava, ela disse à empregada:
— Estou me sentindo muito melhor, me ajude a levantar.
A empregada a ajudou a se levantar com movimentos suaves.
— Traga minha cadeira de rodas — ordenou ela a Vinicius.
O olhar de Vinicius esfriou um grau.
— O Diretor Lourenço pediu para que a senhora descansasse.
— Eu disse que estou me sentindo muito melhor, não preciso ficar deitada. Você não entendeu? — Yolanda fechou a cara.
Vinicius permaneceu impassível.
— Sra. Arantes, o Diretor Lourenço faz isso para o seu bem.
Yolanda sentiu uma tontura ao sentar na cama. A empregada rapidamente a amparou contra a cabeceira.
— Sra. Arantes, o Secretário Costa tem razão. Descanse bem, o Diretor Lourenço virá em breve.
Yolanda apertou os dedos com força, o olhar voltando-se frequentemente para a porta.
Desde que ele entrou no quarto, o olhar dela não se desviou do rosto dele. Três dias sem vê-lo, e ela sentia uma saudade imensa.
Se pudesse vê-lo todos os dias, seria perfeito.
Mas, até agora, ele não havia proposto que ela se mudasse para o Jardim Sombrio.
Kylen não se sentou. Em vez disso, entregou-lhe uma sacola com duas caixas.
Yolanda hesitou, pegou e viu que eram duas caixas de suplementos sanguíneos.
A voz fria do homem soou acima dela:
— Quando voltar, lembre-se de tomar na hora certa. Estas duas caixas, somadas às duas que receitaram antes e você não tomou... depois de terminar tudo, volte para reavaliar. Sua anemia deve melhorar.
O rosto de Yolanda ficou ainda mais branco. Ela segurou as caixas com força e explicou:
— Kylen, eu só esqueci de tomar...
— Se esqueceu ou se não tomou de propósito, você sabe bem — disse Kylen com expressão indiferente.
O coração de Yolanda estremeceu. Ela realmente não tomara de propósito, queria receber a atenção dele a todo momento. Bastava dizer que estava sem apetite para que ele a acompanhasse nas refeições.
Kylen dirigiu-se à empregada dela:
— De agora em diante, lembre a Sra. Arantes em todas as refeições. Se daqui a um mês continuar assim, arrume suas coisas e vá embora.
A empregada tremeu de medo.
— Sim, Diretor Lourenço!
Embora Kylen fosse habitualmente frio e distante, raramente repreendia os empregados naquele tom.
Parecia que estava realmente zangado.
Yolanda mordeu o lábio inferior, observando de soslaio os dedos longos e ossudos de Kylen caídos ao lado do corpo.
Kylen parecia dizer aquilo pensando na saúde dela, mas por que ela sentia um vazio, como se aquilo não fosse real?

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