Lúcio estava de pé diante de Alícia, com as mãos atrás das costas. A roupa toda preta acentuava ainda mais a largura de seus ombros e o comprimento de suas pernas.
Ele ergueu o queixo em direção a Alícia, e ela entendeu imediatamente que deveria atacar primeiro, para que ele testasse sua base.
Três segundos depois, Hélder virou o rosto, incapaz de assistir.
O corpo de Alícia atacou o vazio. No instante em que ela estava prestes a cair de cara no chão, uma mão forte agarrou seu braço, puxando-a firmemente para cima.
O rosto de Alícia corou de vergonha, e seus olhos brilharam com ainda mais intensidade.
— De novo!
O homem à sua frente continuava com as mãos nas costas. Era humilhante demais!
O espírito de luta de Alícia se acendeu instantaneamente. Ela soltou um grito de guerra, tensionou o rosto e avançou contra Lúcio com os punhos cerrados.
Lúcio estendeu um único dedo e, com facilidade, conteve-a pela testa.
A diferença de altura, somada à força daquele dedo em sua testa, fez com que os punhos de Alícia sequer tocassem a ponta da roupa de Lúcio.
Alícia:
— ...?
Isso estava certo?
Após três tentativas, Alícia foi derrubada por uma rasteira de Lúcio e, em seguida, ele a segurou pelo colarinho para estabilizá-la. Lúcio digitou duas palavras no celular: [Muito ruim.]
Alícia olhou para aquelas palavras, com o rosto queimando de humilhação.
— Ainda tem salvação, não tem?
A ponta do dedo do homem parou sobre a tela do celular por um instante, antes de digitar lentamente uma frase: [O esforço compensa a falta de talento.]
Alícia conhecia bem esse ditado. Por isso, decidiu que, sempre que tivesse tempo livre, treinaria com Lúcio. A menos que ele não estivesse disponível, ela não relaxaria nem por um segundo.
Hélder, não suportando ver aquilo, já havia fechado a porta da sala e saído.
Ele não podia garantir pelos outros, mas confiava plenamente em Lúcio.
Alícia balançou a cabeça.
— Amanhã à noite tenho trabalho.
Lúcio olhou para ela, guardou o celular no bolso, virou-se, pegou o casaco no sofá e saiu da sala.
Alícia observou as costas altas e retas do homem. Esse Lúcio tinha mesmo personalidade, foi embora sem dizer uma palavra de despedida.
Tarde da noite, um Bentley preto entrou no Jardim Sombrio.
Kylen desceu do carro. Na noite fria, com temperaturas abaixo de zero, sua respiração formava uma nuvem branca. A porta do carro se fechou, e a bengala ao lado do assento foi esquecida por seu dono.
De repente, seu celular tocou. O identificador de chamadas mostrava Yolanda.
O homem franziu levemente a testa e deslizou o dedo na tela. A voz ansiosa da empregada soou do outro lado:
— Diretor Lourenço, é terrível! A Sra. Arantes desmaiou!

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