A madeira, que antes estava razoavelmente intacta, havia se partido completamente ao meio.
Finalmente, ela agachou-se no chão, revirando as ruínas com as próprias mãos. As pontas dos dedos foram cortadas pelos pregos, e o sangue gotejava sobre a madeira, mas ela não sentia dor alguma, apenas mantinha a cabeça baixa, movendo as mãos cada vez mais rápido.
— Alícia! — Julian tentou trazê-la de volta à realidade, mas ela não reagia a nenhum estímulo externo.
Ele se agachou ao lado dela, jogando para longe os pedaços de madeira com pregos para evitar que ela se ferisse ainda mais. Segurou a mão dela que sangrava e, com a outra mão, também começou a revirar os escombros.
Finalmente, as mãos dela pararam.
No meio daquele amontoado de ruínas, havia uma placa de madeira quadrada, com os cantos cuidadosamente arredondados.
A placa havia sofrido com a erosão do vento e da chuva ao longo dos anos, e a tinta já havia descascado.
Mas ainda era possível reconhecer as palavras entalhadas com seriedade e dedicação, traço por traço.
— O Refúgio Secreto da Minha Querida Alícia
Alícia olhava fixamente, e as lágrimas jorraram de seus olhos. Ela agarrou a placa de madeira e a pressionou com força contra o peito. Sentia como se seu coração tivesse sido arrancado, sangrando incessantemente.
Aquilo havia sido entalhado pelo papai, segurando a mão dela, traço por traço.
Ela se levantou, trêmula.
O vento levantou seus longos cabelos, afastando alguns fios da testa e revelando a marca de um impacto. O que antes era apenas avermelhado tornara-se um hematoma roxo, chocante contra sua pele lisa.
Sob a varanda, os olhos negros do homem se estreitaram.
— Por quê? — ela questionou em um sussurro quase inaudível.
Faltava menos de um mês e meio para ela ir para o exterior. Yolanda sabia muito bem que ela já havia desistido de Kylen. Por que, nesse momento crítico, precisava cravar mais uma faca em seu coração?
Yolanda respondeu com um tom de voz pacífico:
— Essa casa na árvore estava velha e sem manutenção, representava um risco de segurança. Demoli-la foi uma medida para garantir a segurança futura.
— Se tem tanto medo de morrer, por que você não se muda?! — Alícia elevou a voz repentinamente.
A aura fria e familiar fez a testa de Yolanda franzir levemente.
— Vinicius! — Kylen jogou para o lado a madeira com pregos e encarou o rosto banhado em lágrimas de Alícia com uma expressão sombria. — Tire-a daqui.
Vinicius avançou. Yolanda estava prestes a segurar a mão de Kylen para verificar o ferimento, mas Vinicius caminhou até atrás dela e empurrou a cadeira de rodas para dentro da casa.
— Vinicius, o que você está fazendo!
Yolanda tentou pressionar o botão da cadeira de rodas, mas foi impedida por Vinicius.
Sob a varanda, Alícia viu Yolanda ser levada e seu corpo vacilou, sendo amparada pelos ombros por Julian, que estava logo atrás. Atrás dele, estavam Hélder e os seguranças da Família Gonçalo.
Alícia olhou para o homem diante dela, aquele que queimava suas entranhas de dor, e disse com voz fria:
— Kylen, por quanto tempo você acha que poderá protegê-la?
O olhar sombrio de Kylen varreu a mão de Julian no ombro de Alícia, e sua voz fria soou como se tivesse sido temperada no gelo:
— A demolição da casa na árvore... foi ordem minha.

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