Hélder caminhou ao lado de Alícia.
— Sra. Serra, não leve a mal. Ele é assim mesmo, jamais tira a máscara ou o boné.
— Não tem problema, não é a nossa primeira vez nos encontrando — respondeu Alícia, indiferente.
No ano anterior, antes de engravidar, ela já havia aprendido alguns golpes de defesa pessoal com aquele treinador. Na época, ele já era assim: sempre de máscara, boné e luvas. No começo, ela achara estranho.
Isso até Hélder lhe contar que o conhecera quando atuava como mercenário. Ele sempre fora assim e, além disso, era mudo de nascença.
Dizem que ele chegou a salvar a vida de Hélder. Embora tivessem pouco contato nos últimos dez anos, sempre que se falavam, o homem aparecia para ajudar Hélder, não importasse onde estivesse.
Sabendo que Alícia queria aprender defesa pessoal, Hélder pensou naturalmente na pessoa em quem mais confiava.
O que a Sra. Serra precisasse aprender, teria que ser com o melhor.
Alícia aproximou-se. O homem já havia se levantado. Sua estatura alta não era tão robusta quanto a de Hélder; ele tinha ombros largos e cintura estreita.
Alícia estendeu a mão para ele.
— Treinador, quanto tempo. Vou precisar incomodá-lo novamente a partir de agora.
Ele apertou a mão dela brevemente e logo a recolheu. A leve sensação de distanciamento continuava a mesma de antes.
O homem tirou um celular preto do bolso e abriu o bloco de notas. As luvas pretas deixavam apenas as pontas dos dedos expostas enquanto ele digitava algumas palavras: "Você quer aprender luta?"
Alícia assentiu.
Ele voltou a digitar no celular: "Sua base é muito fraca. Precisamos começar com o treino de força mais básico, caso contrário, seus golpes serão apenas estética, sem efeito real."
Com menos de um mês e meio de prazo, Alícia estava um pouco ansiosa e perguntou, hesitante:
— Não podemos praticar os golpes enquanto fazemos o treino de força? Mesmo que seja só estética, deve ter alguma utilidade, não?
Alícia olhou para o treinador com esperança. O homem desviou o olhar do rosto dela, baixou a cabeça e digitou no celular.
O homem lhe entregou uma toalha e mostrou a tela do celular: "Por hoje é só. A pressa é inimiga da perfeição."
Alícia pegou a toalha branca imaculada da mão dele e enxugou o suor.
— Obrigada. O senhor tem razão, e se continuasse, meu corpo não aguentaria.
Ela murmurou baixinho:
— Minha lombar ainda está dolorida.
Depois de beber alguns goles de água, ela se virou e perguntou ao homem, que pegava o casaco do sofá para ir embora:
— Como devo chamá-lo?
Considerando que o homem era praticamente seu professor, ela nem sequer sabia o nome dele, o que não era muito educado.
Os passos do homem cessaram por um instante. Ele olhou para Alícia, e seus olhos castanho-escuros pareciam ainda mais frios do que antes.

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