Só quando ouviu o som da porta batendo no quarto ao lado foi que ele desviou o olhar lentamente, pegando a foto que Alícia havia largado na cama no momento de pânico.
Ele alisou a foto que fora amassada, olhou para o pezinho nela e casualmente a colocou debaixo do travesseiro.
...
Pouco depois de Alícia voltar ao quarto, seu celular tocou. Era Eder.
Após desligar, Alícia respirou fundo.
O Dr. Vargas disse que já a tinha incluído na lista de inscritos para a Inglaterra.
Não precisava nem adivinhar que havia o dedo de Yolanda nisso.
Caso contrário, o Dr. Vargas não teria dado uma resposta tão rápida.
Rivais chegando a um consenso era algo que ela nunca pensou que veria, e o pior é que ela era a parte interessada.
Mas, de qualquer forma, o assunto estava resolvido.
Considerando sua formação e currículo de graduação e mestrado, a aprovação não seria problema.
Isso significava que, em menos de um mês e meio, ela seguiria com a equipe de mídia para o posto na Inglaterra.
Três anos, ou talvez mais.
Alícia deitou na cama, virou-se apoiando a cabeça numa mão enquanto segurava o celular na outra, observando o General deitado no chão brincando com a bengala, e sentiu um vazio no coração.
Ela adormeceu ali mesmo, em cima do edredom, sentindo um perfume leve no ar. Não demorou para cair num sono profundo.
Não percebeu quando a porta do quarto foi aberta por fora.
O General, que cochilava no chão, ergueu-se num sobressalto, orelhas em pé e olhar alerta para a porta. Soltou um ganido baixo, mas logo voltou a deitar e fechou os olhos para dormir.
Hélder assentiu. — Já chegou. Ele é sempre pontual.
Na verdade, com as habilidades de Hélder, seria mais do que suficiente para ensinar Alícia, mas ele não ousava lutar com ela, com medo de machucar seus braços e pernas finos e levar uma bronca de Narciso.
Para ensinar luta e coisas do tipo, só incomodando alguém de fora.
Alícia prendeu o rabo de cavalo e caminhou em direção à sala não muito longe dali.
Um homem de estatura alta e ombros largos estava sentado de lado no sofá. Quando Alícia entrou, ele estava colocando luvas de couro preto nas mãos.
Ele estava de cabeça baixa; um boné cobria a parte superior do rosto e uma máscara preta cobria a parte inferior.
Depois que ela entrou, ele virou a cabeça, e seus olhos castanhos-escuros pousaram nela com um olhar indiferente.
Ouviu-se um clique suave quando o fecho magnético da luva se fechou.

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