A pele do pezinho estava avermelhada e enrugada, parecia o pé de um recém-nascido.
Alícia não entendia muito de bebês, especialmente depois do aborto induzido há um ano; ela não ousava ver vídeos ou fotos de bebês, mas tinha a sensação de que aquele pezinho era pequeno demais.
Como poderia haver uma foto de um pé de bebê no quarto de Kylen? Seria dele quando criança?
Ela virou a foto e, no verso, havia uma letra escrita com traços fortes e vigorosos: L.
Além disso, não havia mais nada.
Alícia virou a foto novamente para olhar o pezinho. Ao lado, o General aproximou a cabeça, imitando Alícia e encarando a foto, emitindo um gemido baixo.
A chuva lá fora diminuiu um pouco. A Mansão Lourenço era uma construção antiga, com peitoris altos; as gotas de chuva sopradas pelo vento batiam no vidro, misturando-se ao som do vento num farfalhar constante.
A porta do quarto fez um leve rangido e fechou com um estrondo!
— Au!
O General virou-se agilmente e latiu para a porta.
Uma sombra negra estava parada na porta, onde a luz não alcançava.
Alícia levantou-se rapidamente do chão, com uma mão nas costas do General e a outra apertando a foto. Assustada e com a respiração ofegante, ela fixou o olhar na sombra.
De repente, a luz do quarto se acendeu.
Alícia engoliu em seco o grito de "fantasma" que quase escapou, olhando ainda trêmula para Kylen, que usava óculos sem aro e tinha um olhar profundo.
O General correu de repente para longe de Alícia e deu voltas ao redor de Kylen.
Kylen olhou para Alícia com um significado oculto. — Quer dormir aqui hoje?
O sangue subiu à cabeça de Alícia. Quando foi que ela reclamou que ele a tocava pouco?!
Ela desejava que ele nunca mais a tocasse!
— General, morde ele! — Alícia virou a cabeça e gritou para o pastor alemão.
O General correu instantaneamente para a beira da cama, levantou a cabeça e latiu duas vezes para Kylen, sem muita convicção, girando ansioso no chão.
Alícia franziu a testa. Que inútil! Teria que depender de si mesma.
Ela lutou com força, seu joelho atingiu algum lugar nele e, no momento em que ele afrouxou o aperto, ela rolou para fora debaixo dele, pulou da cama e correu para a porta.
O General a seguiu de perto, carregando uma bengala na boca enquanto corria atrás dela.
Kylen sentou-se na cama, olhou para Alícia fugindo como se sua vida dependesse disso e para o General, que era "tão dono quanto o dono", e uma onda suave se espalhou no fundo de seus olhos profundos como um lago, um sorriso tão tênue que era quase invisível.

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