O médico perguntava enquanto observava o homem de óculos sem aro e aura gélida ao lado da cama; seu tom de voz tornou-se involuntariamente mais respeitoso.
Alícia esquivou-se discretamente da mão em sua cintura. — A frequência diminuiu bastante. O zumbido só aparece ocasionalmente, por exemplo, quando vejo pessoas que detesto ou faço coisas que detesto. Como agora.
O médico quase não ousou continuar ouvindo; a fala de Alícia tinha um alvo claro.
Quem era o alvo, ele não ousava dizer.
Ele pigarreou. — Então... ainda é necessário manter um estado de espírito alegre, o que ajuda na cicatrização.
— Obrigada, doutor. Vou me cuidar.
Assim que Alícia se levantou, a mão voltou a pousar em sua cintura, puxando-a para o lado e conduzindo-a autoritariamente para fora da sala de exames.
Na porta, Kylen soltou Alícia, que se debatia, e desceu a mão para segurar o pulso dela. — Aonde você vai?
— Para um lugar onde meus ouvidos se sintam confortáveis.
— Para o seu Julian?
Alícia ignorou o tom sarcástico do homem e retrucou: — O Diretor Lourenço não estava sem tempo até o fim do ano? O que faz passeando no hospital hoje? Não me diga que veio especificamente me procurar, porque se for, dispenso o favor. Pode voltar.
Aquela língua afiada fazia jus a uma repórter sênior do departamento de jornalismo.
Kylen a encarou, seus olhos negros pareciam cobertos por uma camada de névoa, impedindo que se visse o fundo real.
Alícia não olhou mais para ele. Virou-se para entrar no elevador, mas recuou o passo.
Ela se voltou para o homem, finalmente suavizando o tom. — Kylen, não me importa como as coisas estão entre nós, mas você poderia não afetar o meu trabalho? Só preciso de meia hora do seu tempo para uma entrevista. O que você ganha dificultando as coisas para mim?
— Quando foi que eu dificultei para você? — O tom de Kylen era extremamente indiferente.
Os olhos de Alícia brilharam levemente. — Então está bem, vamos marcar um horário. Pode ser hoje à tarde?
Kylen não perdeu o pequeno movimento dela; a mão caída ao lado do corpo segurava o celular gravando, preparada para registrar as palavras dele como prova, para que ele não pudesse negar depois.
Ao mesmo tempo, o celular de Julian tocou. Era uma mensagem de WhatsApp de Alícia: [Julian, já fui embora.]
— O que você fez com ela? — Julian baixou o celular e questionou Kylen com o rosto fechado.
Kylen não disse uma palavra, apenas tirou os óculos com uma das mãos.
Não muito longe, Enrique chegava correndo.
Vendo a tensão, Enrique correu para segurar Julian. — Você ficou maluco! A Alicinha é esposa do Kylen, você enlouqueceu?
— Não é da sua conta.
Julian parecia magro, mas era muito forte; Enrique não conseguia segurá-lo.
— Pergunte a ele, então, por que ele fere a Alícia ao mesmo tempo que não a deixa ir?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!