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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 118

Essas palavras feriram o coração de Dona Maisa como um espinho; a senhora falava com tanta indiferença, o que mostrava que estava realmente decidida a se separar do senhor.

De volta à emissora de TV, Alícia sentou-se à mesa de trabalho. Queria processar os textos, mas não conseguia se concentrar.

Não sabia se era por causa do sonho, mas pensava nos pais, no ano em que morreram.

Quando ela tinha sete anos, a Família Serra faliu. O pai hipotecou a casa na Mansão Ocidental, e a família se mudou para um apartamento antigo de quarenta e poucos metros quadrados, vendendo tudo o que tinha valor.

Ela não se importava com o tamanho da casa; contanto que pudesse estar com o papai e a mamãe, sentia-se imensamente feliz.

Mas essa vida não durou nem seis meses antes de seus pais morrerem.

Talvez o choque da morte deles tenha sido grande demais, pois ela esqueceu muitos fragmentos do momento em que testemunhou a morte. Lembrava-se apenas daquela manhã, deles caídos em uma poça de sangue, segurando uma arma ao morrer.

A perícia e a polícia concluíram que foi suicídio com arma de fogo.

Ela não acreditava muito que seus pais, que a amavam tanto, cometeriam suicídio atirando em si mesmos, deixando-a sozinha e desamparada com apenas uma carta de despedida.

Depois de adulta, contratou pessoas para levantar a certidão de óbito e o laudo da autópsia da época. Não havia falhas.

Eles realmente haviam cometido suicídio.

Mas e aquela silhueta embaçada do adolescente no sonho? O que significava?

Alícia massageou as têmporas, com dor de cabeça. Talvez fosse o estresse do divórcio conturbado com Kylen.

Eles viviam isolados naquele prédio antigo, ninguém nunca ia visitá-los, muito menos um adolescente. Não havia ninguém assim em sua memória.

Depois de beber um gole d'água, Alícia deu tapinhas no próprio rosto.

Antes ela não sabia, mas agora entendia os sentimentos de Julian. A sensação era sutil; não era alegria nem entusiasmo, mas um certo pânico.

No entanto, essa sensação logo desapareceu. Ela nunca foi de se consumir internamente.

Bastava encarar com naturalidade.

Julian também era um homem decente.

Após responder à mensagem de Julian, Alícia terminou de organizar os textos apressadamente, enviou uma mensagem ao Diretor Barros e foi para o hospital.

Estacionou o carro e, assim que desceu, viu Julian caminhando em sua direção.

— Alícia. — Julian vestia o jaleco branco, caminhando com passos tranquilos até ela. Estendeu a mão para fechar a porta do carro para ela e disse suavemente: — Eu acompanho você.

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