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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 117

Alícia reconheceu de imediato: era o mesmo broche de safira do leilão no Jardim Luz — aquele que um dia lhe pertencera.

Segurando o objeto perdido e reencontrado, Alícia sentiu-se transportada por um instante àquele tarde sem sol, com Kylen coberto de sangue, preso nas ferragens retorcidas do carro, inconsciente.

Naquele momento, ela pensou que perderia seu mundo inteiro.

Todo o sangue de seu corpo refluiu para o coração. Alícia fechou os olhos lentamente, apertando com força o broche na palma da mão; aquele medo residual, mesmo agora, ainda provocava uma contração trêmula em seu peito.

Não precisava adivinhar para saber quem colocara aquela caixa em sua bolsa.

Talvez na noite anterior, enquanto faziam amor no carro, ou talvez depois que ela adormeceu, ele tivesse entrado no quarto.

As pétalas do broche machucavam a palma de sua mão, trazendo-a gradualmente de volta à razão.

Alícia abriu os olhos e devolveu o broche àquela caixa de madeira requintada.

A caixa exalava um leve aroma amadeirado, muito parecido com o cheiro de Kylen.

Apenas sentir aquele cheiro fazia seu coração doer em ondas.

Embora fosse sábado, devido ao ajuste do feriado de Ano Novo, era dia de trabalho. Alícia deixou a caixa na mesa de cabeceira, levantou-se, fez sua higiene e se trocou.

Mas, não sabia se pelo sonho inexplicável ou pelo broche, ela estava inquieta.

Ao escovar os dentes, derrubou o copo; ao se vestir, prendeu a pele da clavícula no zíper, fazendo uma careta de dor.

Depois dessa manhã caótica, ela pegou sua bolsa e saiu do quarto.

Sobre a mesa de cabeceira, a caixa de madeira permaneceu silenciosa.

Dona Maisa havia preparado o café da manhã cedo, esperando que ela acordasse e descesse. A mesa estava cheia de pratos que ela gostava.

Havia muitos dias que não provava o tempero de Dona Maisa. Como nunca maltratava seu próprio estômago, sentou-se e degustou cada item devagar.

— Dona Maisa, por que não deixa de trabalhar aqui e vem comigo? Eu cuido da senhora na velhice.

Na mão dela havia uma pequena caixa transparente.

Dentro, um comprimido branco.

Alícia ficou atônita por apenas um instante, mas logo entendeu que remédio era aquele.

Ela estendeu a mão sem hesitar, com uma expressão de alívio no rosto. — Ótimo, me poupa de ter que ir comprar.

Pegou a água que acabara de beber sobre a mesa e engoliu o comprimido ali mesmo.

Dona Maisa sentiu um aperto no coração ao ver aquilo. — Tomar esse remédio faz mal para a saúde.

— Se eu engravidar, teria o trabalho de ir ao hospital fazer um aborto. Entre um aborto e tomar um remédio, eu sei o que é melhor.

Na noite anterior, Kylen enlouquecera no carro. Se ela estivesse certa, era o sentimento de posse dele agindo; o fato de ela ter aparecido no leilão beneficente o desagradou.

Assim que a entrevista terminasse, ela não apareceria mais na frente dele. Coisas assim não aconteceriam mais, e ela não precisaria mais tomar remédios que prejudicavam seu corpo.

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