POV/ SAKURA
Ela apontou para um pequeno símbolo próximo ao campo de senha.
— Eu já vi isso antes.
Sentei ao lado dela.
— Onde?
Moon franziu a testa.
— No escritório dele. Quando eu era criança.
Seu rosto mudou.
— Meu Deus, Sakura. Acho que isso tem alguma coisa a ver com um jogo que ele fez para mim.
Olhei para Nathan.
Ele permaneceu em silêncio, esperando que ela continuasse.
Moon passou a mão pelos cabelos.
— Eu só não consigo lembrar como funcionava.
Apertei sua mão.
— Não tem problema. Você não precisa descobrir tudo agora.
Ela assentiu, mas continuou olhando para a tela.
Deixei que observasse o programa enquanto voltei à minha cadeira.
Naquela noite, tínhamos encontrado mais perguntas do que respostas.
Mas uma coisa estava ficando clara: as movimentações financeiras suspeitas não haviam começado recentemente.
Elas atravessavam anos de administração, contratos e mudanças dentro da Blackwood.
E o nome das empresas Gouveia e Lacerda aparecia vezes demais para que eu simplesmente ignorasse.
Moon estava havia vários minutos olhando para o computador quando percebi que seus olhos começavam a ficar vermelhos.
— Ei — chamei.
Ela virou o rosto.
— Oi?
— Você quer fazer uma pausa?
— Não.
— Moon...
— Sakura, eu estou bem.
Nathan levantou os olhos da planilha.
— Você está tentando lembrar uma coisa de quando era criança. Não precisa resolver isso em uma noite.
Ela soltou um suspiro.
— Eu sei.
Aproximei-me e coloquei a mão em seu ombro.
— Quer ficar sozinha um pouquinho? Talvez consiga se concentrar melhor sem a gente falando o tempo inteiro.
Moon olhou para a tela.
Depois para mim.
— Acho que sim.
Sorri.
— Então vamos buscar água. Não vamos demorar.
Nathan se levantou.
— Vou com você.
— Eu sei onde fica o bebedouro.
— Eu também.
Revirei os olhos.
— Que maravilha.
Moon riu.
Saímos da sala e seguimos pelo corredor.
Nathan caminhava ao meu lado, com uma das mãos no bolso da calça.
— Ela está muito abalada — comentou.
— Está. Aquele programa trouxe lembranças do pai.
— Talvez seja melhor encerrar por hoje.
— Vamos dar mais alguns minutos.
Ele concordou.
Seguimos até a área de descanso.
Peguei um copo descartável e o enchi de água.
Nathan fez o mesmo.
— Você percebeu uma coisa? — perguntei.
— O quê?
— Os pagamentos que encontramos hoje começaram muito antes da morte dos pais do Rocco.
Ele assentiu.
— Percebi.
— Então, se existe uma fraude, não começou quando Lorenzo assumiu a administração.
— Não necessariamente.
— E continuou depois.
Nathan bebeu um pouco de água.
— Precisamos descobrir quem autorizava os contratos e quem recebia os valores.
— Eu queria entender por que aparecem tantas empresas diferentes.
— Pode haver intermediárias legítimas. Mas também pode existir uma estrutura de pagamentos que não foi devidamente justificada.
Cruzei os braços.
— Você sabe o que mais me incomoda?
— O quê?
— O nome do Gouveia.
Nathan me olhou.
— Por causa da Sky?
Assenti.
— Aquele homem administrou os interesses dela e da Moon durante anos. Agora está cobrando uma fortuna da Sky. E encontramos pagamentos para empresas ligadas a ele.
Nathan ficou sério.
— Precisamos mostrar esses registros a Christian.
— Eu sei.
Devolvi o copo vazio à lixeira.
Foi quando ouvi passos no corredor lateral.
Não prestei atenção imediatamente.
Até reconhecer uma voz.
— O resultado precisa sair exatamente como combinamos.

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