( Eu dividi os capítulos. Para ontem e hoje - Vou postar o restante) Pode parecer poucos para vocês, mas esse mês eu já postei 150mil palavras o que equivale dois livros normais de 350 paginas.)
POV: SAKURA
— Se aquele computador travar de novo, eu vou jogar ele pela janela.
Nathan nem olhou para mim.
— Bom dia para você também, Sakura.
— Não está de dia.
— Boa noite, então.
Revirei os olhos e voltei a examinar a tela.
Estávamos novamente no arquivo histórico da Blackwood, mas daquela vez não éramos apenas nós dois. Moon estava sentada do outro lado da mesa, observando os documentos que havíamos separado para mostrar a ela.
Nathan havia conseguido autorização de Christian para consultar registros adicionais. Não tínhamos permissão para modificar nada, mas poderíamos conferir os arquivos históricos e solicitar a preservação de documentos que parecessem relevantes.
O problema era que aquele computador continuava funcionando na velocidade de uma tartaruga.
— Eu não acredito que vocês passaram uma noite inteira aqui — Moon comentou.
— Acredite. E quase morremos de velhice esperando essa porcaria abrir os arquivos.
Nathan soltou uma risada.
— Você está exagerando.
— Estou sendo generosa.
Moon sorriu, mas logo voltou a olhar para a pasta diante dela.
Havia fotografias antigas, referências administrativas e algumas páginas relacionadas à tecnologia desenvolvida por seu pai.
Eu não queria obrigá-la a reviver tudo que havia acontecido dez anos antes. Por isso, começamos mostrando apenas o que importava naquele momento: o repositório digital que Nathan encontrara, o nome do antigo diretor Blackwood associado ao registro e a necessidade de uma senha que ninguém conhecia.
— Então vocês não conseguiram abrir? — Moon perguntou.
— Não — Nathan respondeu. — E não vamos tentar adivinhar. O sistema permite apenas três tentativas.
Ela assentiu.
— Entendi.
— Quero que você veja a interface — expliquei. — Talvez reconheça alguma coisa. Não precisa tentar nenhuma senha agora.
Nathan abriu a página protegida.
Moon aproximou a cadeira.
Enquanto ela observava a tela, aproveitei para conferir os novos relatórios que havíamos solicitado.
Na noite anterior, eu tinha encontrado movimentações estranhas em períodos diferentes da administração de Lorenzo. Agora, com acesso a registros históricos adicionais, queria descobrir quando aquilo havia começado.
Abri a primeira planilha.
Depois a segunda.
E a terceira.
— Nathan?
— Oi?
— Você consegue me ajudar com uma coisa?
Ele se aproximou da minha cadeira.
— O que encontrou?
— Estou comparando os pagamentos por período. Achei que as divergências fossem recentes, mas olha estas datas.
Nathan se inclinou para examinar a tela.
— Vinte anos atrás?
Assenti.
— E não é um lançamento isolado.
Mostrei uma sequência de pagamentos realizados ao longo de vários anos. Alguns eram altos, outros menores. Havia períodos com movimentações mensais e outros em que os valores apareciam de maneira irregular.
— Essas empresas receberam dinheiro durante muito tempo — expliquei. — Algumas mudaram de nome. Outras passaram a utilizar contas diferentes.
Nathan pegou uma cadeira.
— Você conferiu os contratos correspondentes?
— Parte deles. Os mais antigos ainda não apareceram.
Ele examinou os valores.
— Pode haver pagamentos legítimos misturados.
— Eu sei. Por isso estou separando tudo.
Moon se aproximou.
— Vocês acham que estavam roubando a empresa?
Olhei para ela.
— Ainda não podemos afirmar isso. Mas existem movimentações que precisam ser explicadas.
— E por que isso importa para o meu pai?
— Porque algumas empresas que receberam esses pagamentos também aparecem nos registros relacionados à tecnologia dele.
Ela ficou em silêncio.
Nathan abriu outra planilha.
— Vamos comparar os beneficiários.
Trabalhamos juntos durante vários minutos.
Alguns pagamentos tinham descrições genéricas, como consultoria estratégica, intermediação comercial e serviços jurídicos. Outros estavam vinculados a contratos de tecnologia ou a projetos imobiliários.
Anotei os valores e comecei a organizar as informações por destinatário.
Foi então que encontrei uma sequência de transferências para uma empresa ligada ao grupo Gouveia.
— Olha isso.
Nathan aproximou o rosto da tela.
— Gouveia?
— Sim.
Moon se levantou imediatamente.
— Paulo Gouveia?
— O grupo empresarial dele aparece como destinatário de alguns pagamentos — respondi. — Ainda precisamos verificar a finalidade.
— Aquele homem passou anos administrando as coisas da minha família!
— Eu sei, Moon.
Ela cruzou os braços.
— E a Sky está devendo dinheiro para ele.
Apertei os lábios.
— Por isso precisamos conferir esses documentos com cuidado.
Continuei pesquisando.


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