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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 447

POV/ SAKURA

Quando acordei, a primeira coisa que senti foi sede.

Minha boca estava tão seca que precisei passar a língua pelos lábios algumas vezes antes de conseguir abrir os olhos direito. Havia luz entrando pela lateral da cortina, vozes baixas em algum lugar do quarto e aquele cheiro de hospital que eu conhecia melhor do que gostaria.

Demorei alguns segundos para lembrar onde estava.

Depois lembrei de tudo.

O transplante.

Tentei mexer a mão e senti dedos apertando os meus.

— Diego?

A cadeira rangeu.

Meu irmão apareceu no meu campo de visão com o cabelo bagunçado, os óculos tortos e uma expressão que deixava claro que não dormia havia muitas horas.

— Oi.

Minha voz saiu fraca:

— Deu certo?

Diego soltou o ar devagar.

— Você acabou de acordar.

— Não foi o que eu perguntei.

— Continua chata.

— Diego.

Ele apertou minha mão.

— O procedimento terminou como esperado. Agora tem um monte de coisa que precisa ser acompanhada.

Aquilo não era uma resposta definitiva.

Eu já tinha aprendido que, em hospital, quase nunca existiam respostas definitivas.

— Então eu ainda não morri.

Diego fechou os olhos.

— Se você continuar fazendo essa piada, eu juro que vou pedir pros médicos te sedarem de novo.

Minha boca tentou formar um sorriso.

— Você não manda aqui.

— Passei tantos anos nesse hospital que provavelmente já tenho participação societária.

Soltei uma risada fraca e me arrependi imediatamente porque meu corpo reclamou.

Diego se levantou.

— Não inventa.

— Eu ri.

— Pra você, começa rindo e daqui a pouco tá tentando levantar.

— Nem consigo mexer direito.

— Melhor.

— Idiota.

— Também te amo.

Ele ajeitou a coberta sobre mim e voltou a sentar.

Fechei os olhos por alguns segundos. Eu estava cansada demais para conversar, mas havia uma pergunta presa na minha cabeça desde antes do procedimento.

— Diego?

— Hum?

— Quem foi?

Meu irmão entendeu.

— O doador?

Assenti.

— Eu não sei.

Abri os olhos.

— Como você não sabe?

— Porque eu não sei, Sakura.

— Homem? Mulher?

— Não sei.

— Idade?

— Não sei.

— De onde?

— Também não sei.

Franzi a testa.

— Você não perguntou?

Diego soltou uma risada cansada.

— Claro que perguntei. Você acha que eu passei por esse processo inteiro sem fazer pergunta?

— Então?

— Então existem informações que não chegaram pra gente dessa forma. O importante agora é você se recuperar.

Não gostei daquela resposta.

Queria um nome.

Queria um rosto.

Queria saber quem tinha parado a própria vida por algum tempo para me dar a possibilidade de continuar a minha.

— Eu queria agradecer.

— Talvez um dia você consiga.

Olhei para o teto.

— E se eu nunca conseguir?

Diego se inclinou na cadeira.

— Então você vive.

Virei o rosto.

— O quê?

— Se nunca conseguir encontrar essa pessoa, vive. Faz valer a pena.

Fiquei olhando para meu irmão.

— Isso foi profundo.

— Cala a boca.

— Rocco sabe que você fala coisas assim?

— Se você contar, eu nego.

Sorri.

Pouco depois, voltei a dormir.

Os primeiros dias não tiveram nada de bonito.

Eu tinha imaginado o transplante como uma espécie de linha dividindo minha vida em duas partes. Antes eu estaria doente; depois começaria a melhorar.

Meu corpo não recebeu esse roteiro.

Continuei cansada, enjoada e fraca. Havia remédios, exames, cuidados, restrições e gente entrando no quarto o tempo inteiro. Minha imunidade continuava exigindo atenção, e qualquer alteração fazia Diego entrar num estado de vigilância que conseguia ser mais cansativo do que os próprios médicos.

Eu não estava curada.

Estava começando outra etapa.

Essa diferença demorou um pouco para entrar na minha cabeça.

CAP. 474 — Se nunca conseguir encontrar essa pessoa, vive. Faz valer a pena. 1

CAP. 474 — Se nunca conseguir encontrar essa pessoa, vive. Faz valer a pena. 2

CAP. 474 — Se nunca conseguir encontrar essa pessoa, vive. Faz valer a pena. 3

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