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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 445

POV/ SAKURA

Voltei para casa depois daquela discussão com Nathan e passei o restante do dia fingindo que não estava esperando que ele atravessasse a rua.

Ele não atravessou.

Diego apareceu algum tempo depois, ainda usando a camiseta que eu tinha reconhecido como sendo de Nathan. Entrou em casa procurando por mim e me encontrou sentada na cama com o notebook aberto sobre as pernas, embora eu estivesse havia quase vinte minutos encarando a mesma página.

— Você tá com raiva de mim? — perguntou ele, permanecendo perto da porta.

— Não.

— Sakura.

Levantei os olhos.

— O quê?

— Eu conheço seu “não”.

— Parabéns.

Diego soltou um suspiro e entrou no quarto. Depois de tirar os óculos, sentou na ponta da cama e começou a limpar as lentes com a barra da camiseta.

— Você não devia ter ido sozinha até lá.

— Eu atravessei uma rua.

— Não é a distância.

— Então é o quê?

— É você estar com a imunidade baixa, ter recebido resultados ruins e continuar agindo como se eu fosse um psicopata quando tento cuidar de você.

Fechei o notebook.

— Eu não acho que você é um psicopata.

— Ótimo.

— Acho que você é chato.

— Isso eu já sabia.

Quase sorri, mas a vontade desapareceu quando olhei para a camiseta que ele estava usando.

Diego percebeu.

— O que foi?

— Nada.

— Você tá olhando pra minha roupa.

— É do Nathan.

Ele abaixou os olhos para a própria camiseta.

— Derrubei café na minha. Peguei uma dele.

— Hum.

Diego me encarou.

— Que “hum” foi esse?

— Nenhum.

— Sakura, você tá muito estranha.

Eu poderia perguntar.

A pergunta ficou presa na garganta.

Poderia perguntar se Diego gostava de Nathan, se aquelas pesquisas no computador tinham alguma relação com ele, se meu irmão já tinha se apaixonado por um homem ou se frequentava o Erotic's Boys apenas para acompanhar os amigos. Poderia perguntar se as poucas namoradas tinham sido reais ou se eu estava certa ao imaginar que ele tentava se encaixar entre Rocco, Arthur, Nathan e todos aqueles homens que falavam de mulheres com uma naturalidade que Diego nunca teve.

Mas não era meu direito arrancar uma resposta que ele nunca tinha decidido me dar.

Além disso, eu já ocupava espaço demais na vida dele.

— Só tô cansada — respondi.

Diego colocou os óculos novamente.

— Então descansa.

— Você vai voltar pra lá?

Ele demorou um pouco para responder:

— Provavelmente.

Assenti.

— Tá.

— O Nathan não tá bem, Sakura.

— Eu sei.

— Ele mal tá dormindo. Tem advogado, polícia, documento, inventário e um monte de coisa acontecendo ao mesmo tempo. Não leva pro lado pessoal se ele estiver estranho.

Meu estômago apertou.

— Eu não tô levando.

Diego sustentou meu olhar por alguns segundos.

Ele não acreditou.

Também não insistiu.

Antes de sair, levantou e tocou minha testa com a palma da mão.

Afastei o rosto.

— Para de medir minha temperatura com a mão.

— Você tá quente.

— Sua mão que tá gelada.

— Vou pegar o termômetro.

— Diego!

Ele já estava saindo do quarto quando começou a rir.

Aquela era a nossa vida.

Eu podia estar com o coração partido, desconfiar que meu irmão talvez estivesse apaixonado pelo homem que eu amava e ter uma doença que parecia determinada a ocupar cada espaço disponível da minha adolescência.

Mesmo assim, Diego continuava preocupado com a minha temperatura.

Nas semanas seguintes, minha saúde piorou.

Não aconteceu de uma vez. Meu corpo simplesmente começou a responder cada vez menos como os médicos esperavam. O cansaço aumentou, alguns resultados continuaram ruins e as conversas que antes aconteciam longe de mim passaram a acontecer na minha frente.

Transplante.

Compatibilidade.

Doador.

Eu já conhecia aquelas palavras, mas conhecê-las não fazia com que fossem menos assustadoras.

Diego pesquisava tudo.

Chegava das reuniões com Rocco, largava a pasta de trabalho em qualquer canto e abria o computador para ler alguma coisa relacionada ao tratamento. Quando eu reclamava, dizia que precisava entender. Quando eu dizia que os médicos já entendiam, ele respondia que não confiava em ninguém o suficiente para entregar minha vida sem fazer perguntas.

Às vezes, eu acordava durante a madrugada e encontrava luz embaixo da porta do quarto dele.

Nathan aparecia cada vez menos.

Eu sabia que continuava falando com Diego. Algumas vezes ouvia meu irmão atendendo ligações e reconhecia o nome na tela. Em outras, Diego dizia que passaria na casa dele antes de voltar.

Comigo, Nathan mantinha distância.

A primeira vez que apareceu novamente em nossa casa foi rápida.

Eu estava no sofá, coberta até a cintura, tentando acompanhar uma aula pelo computador. Diego tinha saído para trabalhar e voltaria depois do almoço.

Ouvi a porta abrir.

— Diego?

Ninguém respondeu.

Levantei os olhos.

Nathan entrou na sala.

Meu coração reagiu antes que eu conseguisse impedir.

Ele ainda parecia cansado. Os cachos estavam maiores, a barba continuava crescendo e os olhos verdes tinham perdido parte daquela expressão debochada que eu conhecia desde criança.

Fechei o computador.

— Oi.

— Oi.

Nathan ficou perto da porta.

Aquilo me incomodou.

Antes, ele entrava naquela casa como se fosse dele. Abria a geladeira, jogava o corpo no sofá, reclamava da comida e mexia nas coisas de Diego.

Agora parecia visita.

— O Diego não tá.

CAP. 472 - DOR 1

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