POV / CHRISTIAN
POV / CHRISTIAN
Moon recuou mais um passo, ajeitou a bolsa no ombro e se virou, caminhando rapidamente em direção às portas de vidro da recepção.
— Moon, espera!
Fui atrás dela, desviando das pessoas que circulavam pelo hospital. Alcancei minha noiva antes que chegasse à saída e segurei seu braço.
— Ratinha, por favor, me escuta!
Ela se virou bruscamente e tentou se soltar.
— Não encosta em mim, Christian! Me solta!
Soltei seu braço imediatamente.
Moon se afastou, com os olhos cheios de lágrimas e o rosto vermelho de indignação.
— Ratinha...
— Não me chama assim!
Sua voz falhou. Ela enxugou o rosto, mas as lágrimas continuaram escorrendo.
— Eu fiquei aqui ouvindo sua avó me humilhar, Christian! Fiquei esperando você falar alguma coisa, e você não fez nada!
— Moon, eu não concordo com o que ela disse.
— Mas ficou calado!
Ela soltou uma risada nervosa, balançando a cabeça.
— Meu Deus, como eu fui idiota!
— Não fala isso.
— Eu achei que você fosse me defender!
A decepção em seu rosto me atingiu. Eu deveria ter interrompido minha avó desde o primeiro comentário sobre a família Bittencourt.
— Eu devia ter interrompido aquela conversa antes. Me desculpa.
— Eu não quero suas desculpas!
Moon enxugou o rosto novamente e voltou a caminhar em direção à saída.
— Quer saber? Chega. Eu vou embora!
— Moon!
Tentei acompanhá-la, mas minha avó segurou meu braço antes que eu alcançasse as portas.
— Christian, deixe essa menina ir.
Virei-me para Helena.
— Vó, chega!
Helena soltou meu braço, surpresa com meu tom.
— Você vai mesmo correr atrás dela depois de tudo o que aconteceu?
— Vou! Ela é minha noiva, e a senhora não tinha o direito de tratá-la daquele jeito!
— Christian, você não entende o que essa família...
— Não quero discutir isso agora!
Minha avó apertou os lábios e me lançou um olhar de reprovação.
— Está falando assim comigo por causa daquela menina?
Olhei rapidamente para a entrada. Moon já havia atravessado as portas de vidro e desaparecido na área externa.
— Estou falando assim porque a senhora humilhou a mulher com quem eu vou me casar. E, querendo ou não, ela vai fazer parte desta família.
— Mas, Christian...
— Mas nada, vó! Quem decide com quem eu vou me casar sou eu. A senhora não precisa gostar da Moon, mas vai respeitá-la.
Helena ficou me encarando.
— Seu avô jamais vai aceitar isso.
— Então ele vai ter que aprender a aceitar também.
— Você não sabe o que está dizendo.
— Sei muito bem. Agora vá para casa. Seu motorista está esperando, e depois a gente conversa.
— E vai me deixar aqui?
— A senhora não está sozinha, vó. O motorista vai levá-la. Eu preciso ir atrás da minha noiva.
Não esperei outra resposta.
Atravessei a recepção e saí pelas portas automáticas do hospital.
Moon já estava na calçada, caminhando depressa em direção à rua. O estacionamento ficava do outro lado da área de acesso, mas ela sequer olhou na direção do meu carro. Continuou andando, com a bolsa pendurada no ombro e uma das mãos no rosto.
— Moon!
Ela não parou.
Desci os poucos degraus da entrada e apressei o passo, alcançando-a antes que chegasse ao meio-fio.
— Princesa, espera!
Toquei seu braço, e Moon se virou bruscamente.
— ME SOLTA!
Abri a mão no mesmo instante.
— Amor, por favor, me escuta.
— Eu mandei não encostar em mim!
Ela recuou, chorando de raiva. Sua respiração estava acelerada, e as mãos tremiam enquanto tentava ajeitar a alça da bolsa.
— Eu quero ir embora, Christian!
— Eu te levo.
— Não quero entrar no seu carro! Não quero olhar para a sua cara agora!
Meu peito apertou.
— Moon...
— Você tem vergonha de mim?
Fiquei imóvel.
— O quê?
— Responde!
Ela apontou para a entrada do hospital.
— Sua avó me olhou como se eu fosse uma criminosa! Falou da minha família com nojo, e você ficou parado! Por quê? Você também acha que eu não sou boa o suficiente para ser uma Blackwood?
— Nunca! Eu nunca pensei isso!
— Então por que me escondeu?

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