POV / CHRISTIAN
— Christian, quem é essa moça? — Helena repetiu, aproximando-se de nós.
Olhei para Moon, que continuava segurando minha mão. Ela parecia um pouco nervosa, mas abriu um sorriso educado e estendeu a mão livre.
— Boa noite. Eu sou Moon Bittencourt.
Minha avó parou.
O sorriso que começava a surgir em seu rosto desapareceu assim que ouviu o sobrenome.
— Bittencourt?
Moon assentiu.
— Sim, senhora.
Helena olhou para mim, depois voltou a encarar minha noiva.
— Você disse Bittencourt?
— Disse.
Minha avó recolheu a mão antes de cumprimentá-la.
Senti os dedos de Moon apertarem os meus.
— Christian, podemos conversar um instante? — Helena perguntou.
Franzi a testa.
— Sobre o quê, vó?
Ela lançou outro olhar para Moon.
— Em particular.
Moon soltou minha mão.
— Não precisa. Eu posso esperar.
— Não, princesa. Está tudo bem — respondi, segurando seus dedos novamente.
Minha avó estreitou os olhos.
— Princesa?
Percebi que a situação estava prestes a ficar desagradável.
Eu tinha planejado apresentar Moon à minha família de outra maneira. Queria conversar primeiro com meu pai, explicar nosso relacionamento e evitar que os problemas entre os Blackwood e os Bittencourt interferissem naquele momento.
Mas minha avó estava diante de nós, esperando uma explicação.
— Vó, a Moon é...
— Você é filha de Otávio Bittencourt? — ela interrompeu.
Moon pareceu surpresa.
— Sou.
Helena levou uma das mãos ao peito.
— Meu Deus.
Olhei para minha avó.
— Vó...
— Então você é irmã daquela moça que estava com Rocco?
O sorriso de Moon desapareceu.
— Da Sky? Sou, sim.
Minha avó soltou uma respiração pesada.
— Francamente, Christian.
Senti o rosto esquentar.
— O que foi?
Helena ignorou minha pergunta.
— O que uma Bittencourt está fazendo aqui?
Moon ficou imóvel.
Olhei para ela e percebi a mudança em sua expressão. Seus olhos perderam o brilho, e a mão que segurava a minha começou a se afastar.
— Ela está comigo — respondi.
— Com você? — Minha avó franziu a testa. — Christian, você sabe muito bem quem é essa família.
— Vó, por favor.
— Não acredito que estamos passando por isso outra vez.
Moon soltou minha mão.
— Desculpa, senhora, mas eu não estou entendendo.
Helena a encarou.
— Imagino que não.
O tom foi tão desagradável que senti vontade de interromper a conversa imediatamente.
Mas hesitei.
Minha avó estava abalada pela internação de Rocco. Tinha acabado de receber notícias sobre a possibilidade de ele despertar, e eu não queria provocar outra discussão naquele hospital.
Foi um erro.
— A senhora conhece meu pai? — Moon perguntou.
Helena cruzou os braços.
— Conheço o suficiente.
— Então talvez possa me explicar por que está falando comigo desse jeito.
— Moon... — murmurei.
Ela virou o rosto para mim.
— O quê?
Não soube responder.
Minha avó observou nossa troca de olhares.
— Você também trabalha com arquitetura?
Moon voltou a encará-la.
— Não. Sou designer.
— Entendo. Sua irmã é arquiteta, não é? Imagino que tenha aprendido bastante com o pai.
— A Sky sempre gostou de arquitetura. Meu pai também trabalhava na área, e ela aprendeu muita coisa com ele. E minha irmã herdou sim o talento do meu pai e a honestidade dele. — Moon respondeu séria.
Helena apertou os lábios.
— Imagino.
Havia tanto desprezo naquela única palavra que Moon ficou vermelha.
— A senhora tem algum problema com a profissão da minha família?
— Meu problema não é com a profissão de ninguém, mocinha.

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