POV/ CHRISTIAN
— Eu não estou fazendo nada com você! Estou tentando parar de sofrer!
Ela cobriu o rosto e começou a chorar novamente.
Aproximei-me por impulso, querendo abraçá-la, mas Moon recuou antes que eu pudesse tocá-la.
— Fica longe!
Parei imediatamente.
Meu coração batia tão depressa que eu sentia as pulsações na garganta.
Pensa, Christian. Pelo amor de Deus, pensa!
Não adiantava pedir desculpas.
Não adiantava prometer que tudo ficaria bem.
Ela queria a verdade.
E, se eu continuasse adiando aquela conversa, perderia minha noiva naquela mesma noite.
— Calma, espera! — pedi, erguendo as mãos. — Eu vou te contar!
Moon me encarou.
— O quê?
— Eu vou contar, amor. Tudo o que sei sobre essa história. Só não vai embora assim, por favor.
Ela passou a mão pelo rosto, tentando recuperar o fôlego.
— Então fala!
Olhei rapidamente para as pessoas que circulavam perto do hospital.
— Precisamos sair daqui. O que vou te contar é muito sério.
Moon franziu a testa.
— Sério quanto?
Engoli em seco.
— Envolve o acidente em que sua mãe morreu.
Ela perdeu a cor.
Seus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu.
Depois levou uma das mãos ao peito.
— Minha mãe?
Assenti.
— Christian... — Sua voz saiu quase inaudível. — O que você sabe sobre a morte da minha mãe?
— Eu vou explicar.
— Então explica!
— Moon, por favor. Não aqui.
Ela passou as mãos pelos cabelos, desesperada.
— Meu Deus, você está me assustando!
Senti uma pontada de culpa.
— Eu não queria te assustar.
— Mas está! Você acabou de falar da minha mãe!
Outra lágrima escorreu por seu rosto.
— O que aconteceu, Christian? O que sua família tem a ver com a morte dela?
— É justamente isso que preciso te explicar. Mas não podemos conversar sobre esse assunto com pessoas passando ao nosso lado.
Moon olhou ao redor, respirando com dificuldade.
— Então para onde você quer ir?
Pensei rapidamente.
Meu apartamento estava ocupado pelos meus avós e por Ravi. Depois do que aconteceu com Helena, não havia a menor possibilidade de levar Moon para lá.
A casa das Bittencourt tinha sido atingida pelo incêndio. Também não pretendia aparecer na casa de Sakura para envolver outras pessoas naquela situação e nem queria que Sky soubesse, não por enquanto.
Precisávamos de privacidade.
— Vamos para um hotel.
Moon me encarou como se eu tivesse perdido completamente o juízo.
— Você só pode estar brincando!
— Não estou.
— Christian, pelo amor de Deus! Eu estou quase terminando com você, você acabou de falar da morte da minha mãe e quer me levar para um hotel?
Passei a mão pelos cabelos.
— Ratinha, não estou pensando em sexo. Meu apartamento está ocupado pela minha família, sua casa não está disponível depois do incêndio e não podemos conversar sobre uma coisa dessas em um restaurante. É um lugar onde vamos ter privacidade.
Ela apertou os lábios, ainda chorando.
— Eu não quero nenhuma gracinha sua.
— Não vai ter, amor. Só quero conversar.
Moon permaneceu olhando para mim durante alguns segundos.
— E você vai me contar o que aconteceu?

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