( ESSES CAPÍTULOS SAIRIAM AMANHÃ MAS VOU ANTECIPA-LOS PARA HOJE. PREPAREM-SE QUE FINAL DE SEMANA TEREMOS UMA SUPER MARATONA)
POV/ CHRISTIAN
O médico abriu o prontuário e consultou os últimos exames.
— Tenho boas notícias, senhor Blackwood. Rocco está muito bem. O quadro respiratório apresentou uma evolução bastante positiva, as lesões provocadas pela inalação de fumaça responderam ao tratamento e ele está fora de perigo.
Soltei o ar, aliviado.
— E as sequelas?
— Não encontramos sinais de comprometimento permanente. Naturalmente, algumas avaliações serão feitas quando ele despertar, mas tudo indica que terá uma recuperação completa.
— Graças a Deus! — murmurei, passando a mão pelo rosto. — Então por que ele ainda está sedado?
O médico ajeitou os documentos sobre a mesa.
— Porque fomos informados de que seu primo tem uma personalidade um pouco difícil. Ele não costuma aceitar ordens e provavelmente não permaneceria em repouso pelo tempo necessário.
Franzi a testa.
— Quem informou isso?
— Seu avô, o senhor Heitor Blackwood. Ele demonstrou bastante preocupação com a possibilidade de Rocco acordar e insistir em deixar o hospital antes de receber alta.
Meu avô?
Fiquei olhando para o médico por alguns segundos.
Não podia negar que Heitor conhecia o temperamento do neto. Rocco era teimoso, impaciente e tinha o péssimo hábito de acreditar que podia resolver qualquer problema sozinho. Se acordasse naquele momento, provavelmente começaria a exigir o celular, o computador e os relatórios da empresa antes mesmo de conseguir se sentar na cama.
Mas desde quando a opinião do meu avô era motivo suficiente para manter alguém sedado?
— Então vocês estão mantendo meu primo inconsciente porque acham que ele não vai obedecer às recomendações médicas?
O médico mudou de posição na cadeira.
— A preocupação é evitar que ele comprometa a recuperação. Seu avô nos explicou que Rocco dificilmente aceitaria permanecer internado por vontade própria.
Apoiei os braços sobre a mesa.
— Doutor, meu primo está há dias naquela cama. O senhor acabou de me dizer que ele está fora de perigo, que os pulmões estão se recuperando e que não há sinais de sequelas permanentes. Então sugiro que revejam imediatamente essa conduta.
— Senhor Blackwood...
— Não terminei. — Mantive a voz firme. — Eu pago esta equipe para cuidar da saúde do Rocco, não para tomar decisões baseadas na opinião do meu avô sobre a personalidade dele. Se ele precisa ficar internado, vocês expliquem isso quando acordar. Se não obedecer, lidaremos com o problema. Mas não admito que continuem mantendo meu primo sedado apenas porque ele pode ser um paciente difícil.
O médico assentiu.
— Compreendo sua preocupação.
— Ótimo. Porque, se não houver uma justificativa clínica para continuar com essa sedação, vou solicitar outra avaliação e considerar a transferência dele para um hospital que tenha condições de conduzir o tratamento adequadamente.
Ele consultou novamente o prontuário.
— Os exames realmente permitem iniciar a retirada dos sedativos. Vamos organizar o procedimento e acompanhar a resposta dele. Também será necessário ajustar o suporte nutricional, já que Rocco está há vários dias sem se alimentar normalmente.
— Certo.
— Ele vem recebendo nutrição durante a internação, mas vamos reavaliar as necessidades nutricionais, manter a hidratação e realizar os exames necessários enquanto reduzimos os medicamentos. A equipe acompanhará o despertar e a recuperação das funções respiratórias.
— E quando ele vai acordar?
— Iniciaremos a redução da sedação ainda hoje. Não posso determinar a hora exata em que ele despertará, porque isso depende da resposta do organismo, mas não identificamos impedimentos clínicos para começar.
Assenti, satisfeito com a resposta.
— Perfeito. Quero ser informado sobre qualquer mudança.
— Naturalmente, senhor Blackwood.
Levantei-me e ajeitei o paletó.
— E faça o possível para que ele acorde logo. Rocco tem uma empresa inteira para comandar, e eu já estou ficando cansado de resolver as pendências dele.
O médico esboçou um sorriso.
— Imagino que esteja sendo uma responsabilidade considerável.
— O senhor não faz ideia.
Pensei em acrescentar que meu primo tinha motivos muito mais importantes para acordar do que a Blackwood Co. Sky precisava dele, e havia uma notícia maravilhosa esperando para ser compartilhada.
Mas minha avó ainda não sabia da gravidez, e aquele não era o momento de comentar o assunto com a equipe médica.
— Só quero meu primo de volta, doutor. Acordado e saudável.
— Estamos trabalhando para isso.
Agradeci e saí da sala.
Finalmente, uma notícia boa.
Rocco estava fora de perigo. Seus pulmões tinham respondido ao tratamento, e tudo indicava que se recuperaria bem. Era o que eu precisava ouvir depois de tantos dias de preocupação.
Ainda assim, a conversa sobre meu avô continuava me incomodando.
Heitor tinha razão sobre o temperamento de Rocco. Meu primo seria perfeitamente capaz de tentar sair daquele hospital antes da alta.
Mas por que meu avô havia conversado com os médicos sobre a possibilidade de mantê-lo sedado?
E por que ninguém tinha me informado?
Guardei aquelas perguntas para depois. O importante, naquele momento, era que Rocco estava bem e finalmente começaria a despertar.

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