POV/ CHIRSTIAN
Moon começou a rir e escondeu o rosto contra meu peito.
Aquela risada me fez esquecer, por alguns segundos, todos os problemas que estavam esperando por mim.
Acariciei suas costas e beijei o alto de sua cabeça.
— Vamos, princesa. Está ficando tarde.
Conduzi-a até o carro e abri a porta do passageiro.
Moon acomodou a bolsa sobre o colo enquanto eu assumia o volante. Assim que comecei a dirigir, ela estendeu a mão e segurou a minha sobre o console.
— Obrigada por vir me buscar.
Levei seus dedos aos lábios e depositei um beijo.
— Não precisa agradecer, amor.
— Eu sei que você está ocupado.
— Isso não significa que vou deixar minha noiva sozinha na rua.
Ela sorriu discretamente.
— Senti sua falta.
Olhei para ela por um instante antes de voltar a atenção ao trânsito.
— Também senti a sua, princesa. Muito.
Moon acariciou minha mão com o polegar.
— A gente quase não se vê mais.
A maneira como falou me incomodou.
Não havia acusação em sua voz. Apenas tristeza.
— Eu sei. Desculpa por isso.
— Você sempre pede desculpa.
Respirei fundo.
— Porque sei que estou deixando você de lado.
Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Eu entendo que você está cuidando de muita coisa, Christian. O Rocco está no hospital, sua família está preocupada e você está assumindo responsabilidades que nem eram suas. Mas às vezes sinto que você esquece que eu também estou aqui.
Apertei sua mão.
— Não esqueci de você.
— Eu sei que não. Só queria que a gente tivesse um pouquinho mais de tempo.
— Vamos ter, amor. Eu prometo.
Moon olhou pela janela.
— Espero que sim.
Não insisti.
Ela tinha motivos para estar chateada, e eu não queria transformar aquela conversa em mais uma sequência de justificativas.
Depois de alguns minutos, Moon voltou a falar.
— Passei a tarde com a Charlotte.
— Como ela está?
— Melhor em algumas coisas, mas continua muito confusa.
Ela ajeitou a bolsa sobre o colo.
— É estranho, sabe? A Charlotte olha para certas pessoas e sabe que deveria reconhecê-las, mas não consegue lembrar de tudo. E fica muito frustrada quando alguém começa a fazer perguntas.
— Imagino.
— Hoje ela ficou irritada porque tentaram explicar uma coisa que aconteceu antes do acidente. Ela disse que estava cansada de ouvir os outros contando a própria vida para ela.
Olhei rapidamente para Moon.
— Deve ser difícil depender das lembranças de outras pessoas.
— Muito. Por isso tentei distrair ela. A gente conversou, comeu algumas coisas e depois saímos com as meninas.
— Pelo menos você conseguiu se divertir?
Moon sorriu.
— Consegui. Até aquele aplicativo maldito resolver me abandonar.
Ri.
— Vou mandar uma reclamação.
— Manda mesmo. E exige indenização por danos emocionais.
— Quanto você quer?
Ela fingiu pensar.
— Uns dez milhões.
— Modesta.
— Aprendi com meu noivo milionário.
Soltei uma gargalhada.
— Minha ratinha está ficando interesseira.
— Estou mesmo. Inclusive, quero saber quando você vai me levar para jantar.
— Quando você quiser.
— Não fala isso, Christian. Da última vez que você disse, acabou trabalhando até tarde.
A observação me fez perder um pouco do sorriso.
— Dessa vez vou organizar minha agenda.
Ela me encarou por alguns segundos.
— Vou cobrar.

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