POV/ SAKURA
Terminei de organizar os relatórios, salvei a planilha de conferência e devolvi os documentos a Diego. Ele agradeceu novamente e perguntou se eu poderia voltar outro dia, porque provavelmente continuaria precisando de ajuda enquanto Rocco estivesse internado.
Prometi pensar no assunto.
Quando me despedi, Nathan estava próximo à porta, examinando o celular. Ele ergueu o rosto assim que me aproximei e guardou o aparelho no bolso.
— Já vai embora?
— Vou.
— Conseguiu terminar o que tinha para fazer?
A maneira como ele pronunciou a última palavra me fez estreitar os olhos.
— Consegui.
Nathan assentiu lentamente, mas seu sorriso deixou claro que havia alguma coisa errada.
Ignorei a provocação e segui para os elevadores.
As portas estavam quase se fechando quando uma mão apareceu entre elas. Nathan entrou logo em seguida, ajeitando a pasta debaixo do braço.
Fiquei olhando para ele.
— Você não tinha uma reunião?
— Terminei.
— Que conveniente.
— Também achei.
As portas se fecharam, e o elevador começou a descer.
Nathan esperou alguns segundos antes de virar o rosto para mim.
— E o trabalho?
Olhei para o painel.
— Que trabalho?
— Da faculdade, Sakura.
— Ah, aquele.
— Aquele.
Apertei a alça da bolsa, tentando esconder o sorriso.
— Um trabalho muito importante.
— Sobre a história da Blackwood?
— Exatamente.
— Para qual disciplina?
Virei o rosto para ele.
— Você andou ouvindo a conversa entre eu e meu irmão?
— Ouvi parte da conversa.
— Que falta de educação.
Nathan soltou uma risada e apoiou o ombro na parede do elevador.
— Que disciplina?
Suspirei.
— Uma que eu acabei de inventar.
Ele fechou os olhos por um instante, como se estivesse pedindo paciência a alguma entidade superior.
— Sakura...
— Antes de começar, eu quero deixar claro que realmente ajudei o Diego. Passei a manhã inteira conferindo relatórios e corrigindo planilhas.
— Eu sei.
— Então não precisa fazer essa cara.
— Que cara?
— Essa de quem está pensando em me colocar de castigo.
Nathan passou a mão pelos cachos loiros e me examinou com uma seriedade que fez meu sorriso desaparecer.
— Eu mandei você ficar quieta ontem à noite.
A lembrança de sua mão segurando a minha na suíte do Ambrosia fez meu rosto esquentar. Desviei os olhos para o painel, incomodada com a facilidade com que ele conseguia misturar preocupação e lembranças que não tinham absolutamente nada a ver com a investigação.
— Eu tentei.
— Tentou?
— Eu estava trabalhando, Nathan! Não tenho culpa se os números começaram a ficar estranhos.
Ele soltou o ar devagar.
— Sakura, nós conversamos sobre isso.
— Eu sei. Você disse para eu não me envolver, não me expor e deixar Christian e Diego resolverem tudo. Lembro perfeitamente.
— E resolveu fazer exatamente o contrário.
— Eu ofereci ajuda ao meu irmão. Ele aceitou. Enquanto conferia os relatórios, encontrei algumas coisas que não fazem sentido.
Nathan ficou sério.
— Que coisas?
Hesitei por um instante antes de pegar o celular.
— Primeiro, descobri quem denunciou a Sky por plágio.
Mostrei a fotografia que havia tirado da referência administrativa.
— Gael Lacerda.
Nathan se aproximou para enxergar melhor. O perfume dele chegou até mim, e precisei me concentrar no documento para não lembrar de como aquele mesmo cheiro tinha ficado na minha pele na noite anterior.
— Tem certeza? — perguntou.
— Encontrei o resultado de uma apuração interna. O registro eletrônico utilizado para enviar a denúncia foi associado ao Gael.
Ele franziu a testa.

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