POV/ SAKURA
Nathan ficou em silêncio.
Aproveitei para explicar que Sky havia me contado sobre o processo antigo envolvendo a inteligência artificial criada por Otávio e a Blackwood. Ele ouviu com atenção, mas não pareceu encontrar uma relação imediata entre aquele conflito e os contratos que eu havia fotografado.
— Pode ser apenas uma disputa antiga entre as famílias — comentou.
— Pode. Mas não explica por que Christian acha que Lorenzo faria algum mal às meninas agora.
Ele passou a mão pelo rosto, cansado.
— Não explica — admitiu.
A resposta me surpreendeu.
Nathan raramente concordava comigo tão facilmente, principalmente quando eu estava tentando convencê-lo a participar de alguma coisa que considerava arriscada.
Aproximei-me um pouco.
— Eu não quero atrapalhar seu trabalho. Sei que você está sobrecarregado. Mas preciso de alguém que conheça os projetos e consiga entender essas referências. Eu posso analisar os números, só que não sei o que aconteceu em cada contrato.
Ele me encarou por alguns segundos.
— E se eu disser que não?
— Vou continuar sozinha.
— Isso não é uma opção.
— Posso pedir ajuda a outra pessoa.
Nathan arqueou uma sobrancelha.
— Outra pessoa?
— Um colega da faculdade, talvez. Alguém que entenda de engenharia.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Você está tentando me provocar?
— Estou apresentando alternativas.
— E vai fazer isso toda vez que eu discordar de você?
— Depende. Está funcionando?
Nathan inclinou o corpo para a frente.
— Sakura, eu estou falando sério.
— Eu também.
Sustentei seu olhar, embora meu coração estivesse acelerado. Não queria transformar aquela conversa em outra discussão sobre o que existia entre nós. Já tínhamos assuntos demais para resolver, e eu não pretendia desperdiçar a oportunidade de conseguir sua ajuda.
— Você é importante para mim, Nathan — acrescentei. — Mas não pode decidir tudo por mim. Se acha que estou correndo algum risco, então me ajuda a fazer isso direito.
A expressão dele suavizou.
Por um instante, pareceu prestes a dizer alguma coisa. Seus olhos desceram até minha boca, e senti um arrepio percorrer meus braços. A lembrança do Ambrosia voltou com uma intensidade inconveniente, fazendo meu ventre se contrair.
Nathan desviou o olhar primeiro.
— Você é impossível.
— Já ouvi isso antes.
— E teimosa.
— Também.
— E completamente incapaz de seguir uma orientação simples.
Sorri.
— Vai continuar listando minhas qualidades ou vai me ajudar?
Ele soltou o ar devagar, derrotado.
— Vou ajudar.
Meu sorriso aumentou imediatamente.
— Sabia que você era um homem inteligente.
— Não começa.
— Posso te chamar de meu herói?
— Sakura.
— Irmãozão?
Nathan virou o rosto tão depressa que quase comecei a rir antes mesmo de ouvir a resposta.
— Porra, a última coisa que eu quero ser é seu irmão.
Mordi o lábio para conter a gargalhada.
A resposta trouxe de volta outra lembrança da noite anterior. Nathan confessando que era apaixonado por mim, mas preocupado com a reação de Diego.
Por um instante, senti vontade de perguntar se ele continuava pensando naquilo.
Não perguntei.
— Então me ajuda sem reclamar.
Ele balançou a cabeça, mas havia um sorriso discreto em seu rosto.
Nathan explicou que precisava conversar com Christian antes de qualquer coisa. O acesso ao arquivo histórico não era responsabilidade dele, e não pretendia entrar em uma área reservada sem autorização.
— Vamos ao hospital — decidiu. — Christian deve estar lá.
Meu sorriso desapareceu.

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