POV/ SKY
Soltei uma risada curta e balancei a cabeça.
— Essa família tem um jeito muito caro de demonstrar afeto.
— Você não faz ideia.
A porta se abriu antes que eu respondesse. A enfermeira entrou, aproximou-se da cama e conferiu o acesso no meu braço, observando o soro por alguns segundos antes de olhar para Christian.
— Ela precisa descansar.
— Eu já terminei.
— Graças a Deus — murmurei.
Christian me lançou um olhar que preferi ignorar. Pegou o celular que tinha deixado sobre a mesa, guardou no bolso e se levantou.
— Vou resolver uma coisa antes da sua alta.
— Que coisa?
— Sua visita ao Rocco.
A brincadeira desapareceu na mesma hora. Endireitei o corpo na cama e apertei os dedos sobre o cobertor.
— Hoje?
— Hoje.
— Christian...
— Eu disse que resolveria.
Meus olhos começaram a arder, e precisei piscar algumas vezes para segurar a emoção. Fazia três dias que eu tinha visto Rocco pela última vez. Três dias perguntando por ele, recebendo atualizações dos médicos e tentando me convencer de que “estável” era uma palavra boa o bastante para me deixar dormir. Não era. Eu precisava vê-lo, tocar nele e confirmar com meus próprios olhos que continuava ali.
Christian caminhou até a porta, mas parou com a mão na maçaneta.
— E tem alguém querendo te conhecer.
Franzi a testa.
Ele abriu a porta um pouco mais, e o garoto parado do outro lado me pareceu familiar. Levei apenas alguns segundos para lembrar onde já tinha visto aquele rosto.
No corredor da UTI.
Ele tinha chegado com a família de Rocco naquele primeiro dia e estava ao lado da avó, tentando acalmá-la enquanto ela chorava e exigia notícias do neto. Naquela confusão, eu mal tinha conseguido prestar atenção nele.
Agora consegui observá-lo direito.
Ravi tinha os traços parecidos com os de Rocco, embora as cores fossem diferentes. O cabelo preto caía sobre a testa e cobria parcialmente uma cicatriz fina. Os olhos castanhos tinham um tom que lembrava folhas secas. Era alto para os dezessete anos, tinha os ombros largos e vestia um moletom escuro de mangas compridas.
O irmão caçula do meu Senhor Arrogante.
Christian olhou de Ravi para mim.
— Vou cuidar da autorização.
Ele saiu e fechou a porta, deixando nós dois sozinhos.
Ravi permaneceu parado por um instante, parecendo tão desconfortável com aquele primeiro contato quanto eu.
— Oi — falou por fim.
— Oi.
Ele se aproximou devagar da cama.
— Eu queria conhecer você.
Sorri enquanto ajeitava uma mecha do cabelo que tinha caído sobre meu rosto.
— Eu também queria conhecer você.
A surpresa apareceu imediatamente na expressão dele.
— O Rocco falou de mim?
— Falou.
— Espero que só as partes boas.
— Não posso prometer isso.
Ravi riu baixinho, e a tensão nos ombros dele diminuiu um pouco. Aproximou-se da lateral da cama e estendeu a mão.
— Ravi.
Segurei.
— Sky.
— Eu sei.
— Eu também.

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