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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 467

POV/ SKY

Ele não disse mais nada.

Também não precisava.

Fiquei algum tempo olhando pela janela até conseguir respirar sem sentir a garganta fechando.

Foi Christian quem retomou a conversa.

— Você disse que seu pai falava muito com você.

— Falava.

— Então pensa nos últimos dias antes do acidente. Alguma coisa mudou?

Meu sorriso desapareceu.

— Christian...

— Não quero que force lembrança nenhuma. Só quero saber o que você realmente lembra.

Apoiei a garrafa na mesa.

Por alguns segundos, pensei em dizer que não lembrava.

Mas lembrava.

Não de tudo.

De pedaços.

— Na noite anterior à audiência...

Christian endireitou o corpo.

Fechei os olhos.

A porta do escritório apareceu primeiro. Entreaberta. A luz acesa. Meu pai falando ao telefone.

— Ele estava conversando com alguém.

— Você sabe quem?

— Não.

— Por telefone?

— Sim.

Dessa vez, eu tinha certeza.

— Eu estava passando pelo corredor e parei porque queria falar com ele. Não lembro sobre o quê. Talvez algum projeto meu. Talvez nada importante.

A lembrança vinha aos poucos.

— Meu pai estava diferente.

— Como?

— Aliviado.

Abri os olhos.

— Fazia semanas que ele vivia irritado, preocupado, cansado. O processo estava acabando com ele. Minha mãe também estava nervosa o tempo inteiro. Só que naquela noite ele parecia esperançoso.

Christian apoiou os cotovelos nas pernas.

— Por quê?

— Porque ele tinha alguma coisa.

Parei.

Balancei a cabeça.

— Não. Ele não tinha acabado de encontrar. Ele já tinha preparado.

Uma palavra apareceu com tanta clareza que fiquei olhando para Christian.

— Dossiê.

A expressão dele mudou.

— Ele falou isso?

— Falou.

— Tem certeza?

— Tenho.

Passei a mão pelo braço.

— Eu lembro porque depois perguntei para minha mãe o que era um dossiê. Eu não entendia por que meu pai precisava de um.

— Você sabe o que tinha nele?

— Não. Ele falou em documentos e em conseguir provar alguma coisa, mas não lembro das frases inteiras.

— Não tenta completar.

Assenti.

— Eu sei que ele disse que tinha um dossiê. E sei que aquilo tinha relação com provar que a Zenitê era dele.

Apoiei a cabeça no travesseiro.

— Ele falou também que não seria mais só a palavra dele contra a de Sérgio.

Christian ficou muito quieto.

— Por quê?

— Porque tinha alguém ajudando.

— Quem?

— Não sei.

— Você lembra de alguma coisa sobre essa pessoa?

Pensei.

— “De dentro”.

Ele parou.

— Seu pai falou isso?

— Acho que sim. Alguma coisa sobre alguém de dentro que estava disposto a confirmar.

— Confirmar o quê?

— Que ele estava falando a verdade. Que a tecnologia era dele. Talvez sobre os documentos também. Não sei.

Christian se levantou, caminhou até a janela e voltou.

Observei.

— Por que isso te deixou nervoso?

— Continua.

— Christian.

— Por favor.

Aquela última palavra me fez ceder.

Fechei os olhos outra vez.

Meu pai estava no escritório. Telefone no ouvido. Papéis sobre a mesa. A audiência seria no dia seguinte.

— Ele estava confiante por causa da audiência.

— Você sabia da audiência?

— Claro.

Abri os olhos.

— Meus pais iam ao fórum no dia seguinte.

Christian parou.

— Os dois?

— Sim.

— Você e Moon ficaram em casa?

— Éramos menores.

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