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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 464

POV: SKY

A vontade imediata foi dizer que não.

Eu não queria falar sobre meu pai. Não queria pensar no enterro ao qual eu nem tinha conseguido ir, no caixão fechado que eu não vi ou no fato de que, pela segunda vez na vida, alguma coisa tinha acontecido com ele e eu tinha ficado longe demais para me despedir.

Na primeira vez, eu tinha quinze anos.

Agora era adulta.

Não tinha doído menos.

Mas Christian não tinha o hábito de fazer perguntas inúteis.

— Pergunta.

Ele voltou a sentar na cadeira ao lado da cama. Apoiou os antebraços nas pernas e ficou alguns segundos em silêncio.

— O que exatamente seu pai criou?

Franzi a testa.

— Você sabe.

— Sei o que está nos processos e nos arquivos da Blackwood. Quero saber o que você sabe.

Passei a língua pelos lábios secos e ajeitei o travesseiro atrás das costas.

— Era uma inteligência artificial voltada para arquitetura e interiores. Ela conseguia reconhecer ambientes, analisar medidas, iluminação, disposição dos móveis, aproveitamento do espaço e sugerir soluções. Hoje parece menos impressionante porque existe inteligência artificial para praticamente tudo. Naquela época, não.

Olhei para minhas mãos.

As lembranças vieram com uma facilidade que eu não esperava. Meu pai sentado diante do computador até tarde, plantas espalhadas pela mesa, folhas no chão, minha mãe entrando no escritório com uma caneca de café e reclamando que ele precisava dormir.

E eu.

Sempre eu no meio.

— Eu ajudava nos testes.

Christian ergueu ligeiramente as sobrancelhas.

— Você?

— Não desse jeito. — Revirei os olhos. — Eu tinha quinze anos, não era uma programadora escondida.

O canto da boca dele subiu.

— Eu não falei nada.

— Seu rosto falou.

Ajeitei uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Eu já sabia que queria fazer arquitetura. Na verdade, acho que nunca considerei seriamente outra coisa. Meu pai era arquiteto. Eu cresci vendo ele desenhar, trabalhar, reclamar de cliente, refazer projeto porque alguma medida estava errada...

Um sorriso escapou.

— Para mim, ele era o melhor arquiteto do mundo.

A frase saiu fácil.

A seguinte, não.

— Ele era meu herói.

Christian ficou quieto.

Baixei os olhos.

— Eu queria ser igual a ele. Então meu pai conversava comigo sobre tudo. Não os contratos ou as partes jurídicas, claro. Mas arquitetura, projeto, espaço, desenho... isso ele me ensinava. Quando começou a testar a inteligência artificial, às vezes me chamava para usar algumas funções. Eu colocava informações, testava ambientes, dizia quando alguma coisa parecia estranha. Coisas simples.

— Então você viu a tecnologia funcionando antes do processo.

— Muitas vezes.

A expressão de Christian mudou discretamente.

— Antes de Lacerda aparecer como proprietário?

— Muito antes.

Ele assentiu, devagar, como se guardasse aquela informação em algum lugar.

— Seu pai desenvolveu sozinho?

— A criação era dele. A ideia e a parte técnica eram dele. Claro que existiam pessoas trabalhando na empresa, mas aquela tecnologia... — balancei a cabeça — aquilo era do meu pai. Eu vi nascer.

— E qual era a participação de Paulo e Sérgio na empresa?

— A empresa foi criada pelos três. Meu pai entrou com o terreno da família e com a parte técnica. Paulo tinha dinheiro para investir. Sérgio tinha contatos, clientes, sabia vender.

— O terreno era Bittencourt?

— Era.

Christian apoiou as costas na cadeira.

— Ainda é?

Hesitei.

— Tecnicamente?

— Isso não parece uma resposta muito segura.

— Porque eu não tenho uma resposta muito segura.

Ele esperou.

— Tem dívida no meio. Contrato. Dinheiro que Paulo colocou. Dinheiro que ele gastou depois com meu pai, comigo, com Moon... — Passei a mão pela testa. — É complicado.

— Voltamos nisso depois.

— Que alegria.

Christian ignorou a provocação.

— Como a Blackwood entrou na história da inteligência artificial?

Dessa vez, a pergunta me incomodou.

Não porque eu não soubesse.

Porque sabia.

— Meu pai procurou empresas para testar a tecnologia.

— Inclusive a Blackwood.

— Inclusive a Blackwood.

Peguei a garrafa de água e girei a tampa entre os dedos.

— Ele não vendeu a Zenitê para vocês. Isso é importante.

Christian assentiu.

— Continua.

— Existia um acordo de licenciamento para testes. A Blackwood podia usar uma versão da tecnologia, testar em situações reais, avaliar desempenho, essas coisas. Se funcionasse como meu pai esperava, eles avançariam com o projeto.

— Mas a propriedade continuava sendo dele.

— Sim.

Olhei diretamente para Christian.

— Meu pai não entregou a inteligência artificial para a Blackwood. Ele autorizou vocês a testarem o que ele tinha criado.

— E o que aconteceu depois?

Soltei o ar pelo nariz.

— Quando chegou a hora de avançar, descobriram que a documentação não dizia que a tecnologia pertencia ao meu pai.

Christian não desviou os olhos.

— Sérgio Lacerda.

— Sérgio Lacerda.

Respirei fundo, tentando não me emocionar.

— De repente, meu pai tinha licenciado para uma empresa uma tecnologia que, oficialmente, não era dele.

— E a Blackwood entrou contra ele.

— Exatamente.

Aquela parte ainda me irritava.

— Para vocês, meu pai tinha tentado negociar uma tecnologia de outra pessoa. Para ele, tinham roubado a criação dele e conseguido colocar documentos na frente antes que ele pudesse impedir.

— E para você?

Dei uma risada curta.

— Para mim?

Christian assentiu.

— Para mim, Sérgio Lacerda roubou meu pai e a Blackwood ajudou a enterrá-lo.

Ele aceitou sem se defender.

— Foi por isso que você odiou Rocco quando descobriu quem ele era?

— Foi por isso que odiei todos vocês.

— Justo.

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