POV/ SKY
Olhei para Christian.
Ele tinha virado o rosto para a janela e esfregava discretamente o canto de um dos olhos.
Estreitei os meus.
— Você está chorando?
— Não.
— Está, sim.
— Ar-condicionado.
Olhei para a janela fechada.
— Claro.
— Limpe essa barriga.
Comecei a rir.
— O grande Christian Blackwood ficou emocionado com um coraçãozinho.
— Sky.
— Vou contar para a Moon.
— Eu cancelo seu celular.
Abracei o aparelho contra o peito.
— Você não ousaria.
A médica balançou a cabeça, divertida, enquanto retirava as luvas.
— Se continuar tudo bem, a alta deve sair depois do almoço. Vou deixar as orientações e a prescrição prontas.
Meu sorriso diminuiu.
Alta.
A palavra deveria me deixar feliz. Só que não existia casa para onde voltar.
O apartamento tinha virado destroços.
Meu pai estava morto.
Moon e eu não tínhamos mais nada.
Christian percebeu a mudança no meu rosto.
— Já está resolvido.
Esperei a médica e a enfermeira saírem antes de perguntar:
— O quê?
— Para onde você vai.
Ele voltou até a poltrona e começou a organizar as coisas que tinha tirado dali.
— Sakura ofereceu a casa dela.
— Eu sei.
— Então você vai ficar lá com Moon.
— E você decidiu isso sozinho?
Christian parou com uma camiseta dobrada nas mãos.
— Não. Sua irmã decidiu. Sakura decidiu. Alex concordou. Eu apenas fui informado de que minha opinião não era necessária.
— Melhor.
— Mesmo assim, mandei reforçar a segurança.
Franzi a testa.
— Segurança?
Ele colocou a camiseta sobre a cama.
— Precaução.
— Christian.
— Sky, você acabou de receber autorização para sair de um hospital depois de tudo que aconteceu. Eu não vou discutir segurança com você.
Cruzei os braços.
— Vocês Blackwood adoram dar ordem.
— E vocês Bittencourt adoram ignorar qualquer coisa que pareça sensata.
— Conhece duas.
— Foi suficiente.
Revirei os olhos, mas não continuei. Minha atenção voltou para o celular.
Abri a gravação e ouvi dois segundos antes de interromper.
Meu filho.
Rocco precisava ouvir aquilo.
— Você falou sério? — perguntei. — Sobre eu vê-lo hoje?
Christian terminou de fechar a mochila.
— Falei.
— Quando?
— Assim que sua alta estiver assinada. Já conversei com a equipe dele.
Meu coração acelerou.
— E Heitor?
A expressão de Christian mudou.
Foi pequeno. Um endurecimento na mandíbula, o olhar descendo para o zíper da mochila.
— Não estará lá.
— Como você sabe?
— Porque neste momento ele tem outras preocupações.
— A conferência.
Christian assentiu.
Caminhou até a pequena mesa, pegou uma garrafa de água e me entregou.
— Beba.
— Você está fugindo da pergunta.
— E você continua sem beber água.
Peguei a garrafa só para ele parar de olhar para mim daquele jeito.
— Lorenzo está conduzindo tudo?

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