POV/ SKY
— Rocco vai enlouquecer.
O sorriso desapareceu do meu rosto.
— Ele precisa acordar primeiro.
Christian ficou sério.
— Ele está melhorando, Sky.
— Você disse isso ontem.
— Porque é verdade.
— E continua sedado.
— Continua.
Olhei para minhas mãos.
— Então não parece muita melhora.
Christian puxou a cadeira e sentou ao lado da cama.
— Os médicos estão mantendo a sedação porque o sistema respiratório dele ainda precisa de tempo. Ele inalou muita fumaça. Houve lesão nas vias respiratórias, os pulmões foram afetados e eles não querem forçar o corpo antes da hora.
— Quanto tempo?
— Não deram uma data exata. Pode levar mais alguns dias. Talvez uma semana, dependendo da evolução.
Uma semana.
Engoli em seco.
— Mas ele está respondendo?
— Está. Os parâmetros melhoraram. Não apareceu nenhuma piora nova desde ontem.
Assenti.
Eu precisava aprender a aceitar pequenas vitórias.
O coração do bebê.
Rocco sem piora.
Eu sem sangramento.
Naquela semana, aparentemente, felicidade vinha em porções pequenas.
— Eu quero vê-lo.
— Eu sei.
— Seu avô não vai me expulsar de novo.
A mandíbula de Christian endureceu.
— Meu avô não vai chegar perto de você.
— Ele conseguiu da última vez.
— E não vai conseguir de novo.
Havia alguma coisa diferente na forma como ele disse aquilo.
— Christian...
— Hoje você vai vê-lo.
Fiquei imóvel.
— O quê?
— Eu organizei.
Meu coração acelerou.
— Hoje?
— Hoje.
— Mas sua família...
— Está ocupada.
Ele não explicou imediatamente.
— Com o quê?
— A conferência da Blackwood é hoje. Lorenzo está cuidando de tudo enquanto Rocco está aqui. Meu avô também tem compromissos relacionados ao evento.
Lembrei imediatamente de Moon e Sakura.
— A Moon foi para lá.
— Foi. Sakura também.
— Por causa do concurso?
— Entre outras coisas. Vai haver uma atualização das equipes e da situação dos projetos, mas não é a decisão final.
— Eu sei.
— Só estou deixando claro porque, com Rocco fora, algumas coisas podem mudar.
A forma como ele falou me incomodou.
— Que coisas?
Christian desviou o olhar por um segundo.
— Depois conversamos sobre isso.
— Eu odeio quando vocês Blackwood fazem isso.
— Isso o quê?
— Falam uma coisa assustadora e depois dizem “depois conversamos”.
— Você precisa evitar estresse.
— Então pare de produzir estresse pela metade.
Ele quase sorriu.
— Você continua impossível.
— E grávida. Agora eu tenho justificativa hormonal para piorar.
Christian soltou uma risada e se levantou.
— Nesse caso, vou entregar isso antes que você use a gravidez para me agredir.
Ele abriu a mochila.
— Eu comprei algumas coisas para você.
— Christian, não precisava.
— Precisava, sim. Você perdeu tudo.
A frase me atingiu, embora ele não tivesse dito com crueldade.
Perdi tudo.
Ou quase.
Olhei para minha barriga.
Quase.
Christian colocou sobre a cama uma necessaire, carregadores, alguns itens pessoais e uma caixa pequena.
— O que é isso?
— Abre.
Peguei a caixa.
— Se for uma joia cara, eu vou devolver.

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