POV/ SAKURA
Eu já tinha enfrentado leucemia, transplante, faculdade, exames que podiam mudar minha vida inteira e uma quantidade absurda de agulhas. Ainda assim, aparentemente, meu grande desafio naquele momento era responder a um homem perguntando se eu queria tomar café.
Abri a conversa novamente.
Pablo não tinha insistido. Depois do convite, continuamos conversando normalmente sobre livros, trabalho e coisas idiotas do dia a dia. Naquela manhã, ele tinha mandado uma piada sobre o livro que iniciou nossa conversa e nem sequer mencionado o convite outra vez.
O que conseguia piorar tudo.
Se fosse um idiota insistente, eu poderia simplesmente mandar se ferrar e seguir a vida.
Mas não.
O desgraçado tinha que ser educado.
Joguei o celular na cama.
— Eu não vou.
Fiquei olhando para o aparelho.
— Não preciso ir.
O celular, obviamente, não respondeu.
Levantei e comecei a andar pelo quarto.
— Eu nem conheço esse homem.
Parei.
— Quer dizer, conheço. Mais ou menos. Sei onde trabalha, sei o que lê, sei que é gerente de uma loja, sei que é bonito...
Fiz uma careta.
— Bonito pra caralho.
Minha própria voz dentro do quarto começou a parecer ridícula.
Olhei para a porta para ter certeza de que Diego não estava por perto. Se meu irmão me pegasse discutindo sozinha sobre um homem que conheci no K****e, eu nunca mais teria paz.
Voltei para a cama e peguei o celular.
A mensagem continuava ali.
Um café.
Era só isso.
Não era casamento.
Não era sexo.
Não era uma declaração de amor.
Não era Nathan.
Meu dedo parou sobre a tela.
Esse era o problema.
Pablo não era Nathan.
Nenhum homem seria.
— Mãe, isso é ridículo — murmurei.
Olhei para cima como se minha mãe pudesse aparecer no teto e resolver minha vida amorosa depois de morta.
— Eu sei que você não pode responder, mas podia pelo menos mandar um sinal.
Esperei.
Nada aconteceu.
— Uma lâmpada piscando serve.
A lâmpada continuou acesa normalmente.
— Péssimo atendimento.
Soltei o ar e me joguei de costas na cama.
Às vezes eu tentava imaginar o que minha mãe diria se estivesse ali.
Provavelmente mandaria eu parar de ser idiota.
Ou talvez perguntasse por que eu ainda permitia que uma história que nunca chegou a ser um relacionamento decidisse o que eu faria anos depois.
Nathan tinha feito a escolha dele.
Duas vezes.
Eu tinha respeitado.
Então por que continuava me comportando como se aceitar um café com outro homem fosse algum tipo de traição?
Não era.
Nathan não era meu namorado.
Nunca tinha sido.
Não tinha me prometido nada e, quando teve a oportunidade de escolher alguma coisa comigo, deixou claro que não faria isso.
Eu não precisava continuar solteira para provar que o amava.
Muito menos ficar esperando um homem que nunca me pediu para esperar.
Sentei na cama novamente.
— É só um café.
Peguei o celular.
— Se ele for um assassino, eu descubro lá.
Parei com o dedo sobre a tela.
— Não. Isso foi muito burro.
Minha mãe teria concordado.
Abri o perfil de Pablo novamente, como se fosse descobrir uma placa escrita serial killer escondida entre as fotos.
Nada.
Respirei fundo e finalmente respondi.
Aceitei o café.
Depois fiquei olhando para a mensagem enviada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário