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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 453

POV/ SAKURA

Fiquei imóvel.

Não senti tristeza primeiro.

Senti raiva. Uma raiva tão limpa que por um segundo achei que ia rir.

Virei o rosto devagar.

— Você tá brincando comigo?

— Sakura...

— Não. Não fala meu nome desse jeito.

Nathan passou a mão pelo cabelo. Os cachos estavam bagunçados por mim. Isso deveria ter significado alguma coisa.

— A gente já conversou sobre isso.

— Há anos!

— O problema continua sendo o mesmo.

Sentei na cama. O lençol escorregou. Eu não me cobri.

— Diego.

Nathan não respondeu.

— Fala.

— Ele é meu melhor amigo.

Ri sem humor. A garganta doía. O pescoço doía. Tudo doía do jeito errado.

— Impressionante.

— Sakura...

— Não, sério. Impressionante mesmo. Você conseguiu fazer exatamente a mesma coisa duas vezes.

— Não é tão simples.

— Pra mim é.

— Você não entende.

— Então me explica.

Nathan se sentou também. Olhou para o próprio lábio marcado, como se tivesse acabado de lembrar que eu tinha mordido até sangrar. Como se tivesse acabado de lembrar da sala, do banheiro, do sofá, da minha mão no rosto dele.

— Eu preciso do Diego na minha vida.

A frase me atingiu com tanta força que parei de falar.

Ele continuou:

— Ele é meu melhor amigo. É a pessoa que esteve comigo quando tudo aconteceu com meus pais. Eu não vou fazer alguma coisa que possa destruir isso.

Olhei para ele.

As pesquisas no computador de Diego passaram pela minha cabeça. As noites em que meu irmão tinha dormido naquela casa. Nathan dizendo que, quando perdeu os pais, precisava de Diego. Tudo se misturou. Eu não sabia o que aquilo significava. Talvez não significasse nada além de amizade. Mas eu sabia o que significava para mim.

— E eu?

Nathan fechou os olhos por um instante.

— Não faz isso.

— Eu fiz uma pergunta.

— Sakura...

— E eu, Nathan?

Ele demorou.

Demorou tempo suficiente para doer.

— Você é importante pra mim.

Soltei o ar pelo nariz.

— Importante.

Nathan ficou quieto.

— De novo essa palavra.

— Não é pouca coisa.

— Pra mim é.

— Sakura...

— Eu te disse que amava você quando tinha dezoito anos.

Ele desviou o olhar.

— Eu lembro.

— E você nunca respondeu.

— Eu sei.

Sentei mais reta. A voz saiu calma. Isso foi o pior.

— Anos depois, você entra na minha casa porque sabe que eu tenho medo de tempestade, me beija, me fode no quarto, no banheiro, na sala, em tudo quanto é lugar, e depois fala que não pode acontecer novamente porque precisa do meu irmão.

— Não coloca desse jeito.

— Foi exatamente o que você falou.

Nathan passou a mão pelo rosto.

— Eu não quero perder o Diego.

Assenti devagar.

Finalmente.

Ali estava a resposta.

— Tá bom.

Ele me olhou.

— Sakura...

— Não. Tá tudo bem.

— Não tá.

— Vai ficar.

Levantei da cama e procurei a camiseta. Encontrei no chão, do avesso. Vesti. A calça de dormir estava em algum lugar entre a sala e ali. Não me importei.

Nathan também se levantou.

— Não precisa fazer isso.

— Fazer o quê? Me vestir?

— Fingir que não tá doendo.

Parei.

Olhei para ele. Alto. Forte. Lábio partido. Marca da minha mão ainda avermelhada no rosto. Gostoso de um jeito injusto. O homem que eu amava desde antes de saber nomear aquilo.

— Você quer que eu faça o quê? Chore e implore pra você me escolher?

— Eu não tô escolhendo entre vocês.

Olhei diretamente para ele.

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