POV/ SAKURA
— Não foram cinco minutos.
— Esse é seu argumento?
— Não.
— Então qual é?
Nathan apertou os olhos.
— Eu tava numa situação que não devia ter acontecido.
Meu peito doeu.
— Entendi.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Você acabou de dizer.
— Eu quis dizer que o Diego tinha confiado em mim naquela noite.
— E eu confiei em você também!
Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Nathan ficou quieto. A chuva batia nas janelas com força, e o relâmpago seguinte iluminou o rosto dele por um segundo. Olhos verdes. Mandíbula tensa. Cachos ainda úmidos.
— Eu tinha dezoito anos — continuei. — Não doze. Eu sabia o que estava fazendo. Você perguntou se eu tinha certeza umas cinquenta vezes. Eu quis você.
— Eu sei.
— Então por que eu passei anos me perguntando se você fez aquilo por pena?
O rosto dele mudou.
— Pena?
— Eu tava doente. Tinha acabado de receber uma notícia horrível e falei que tinha medo de morrer sem viver nada. Depois você me tratou como se aquela noite tivesse sido um erro. O que você queria que eu pensasse?
Nathan deu um passo na minha direção.
— Eu nunca senti pena de você.
— Não?
— Não.
— Então o que sentiu?
Ele não respondeu.
Soltei uma risada nervosa.
— Exatamente.
Passei por ele. Nathan segurou meu braço. Parei. Olhei para a mão dele. Ele soltou imediatamente, como se tivesse se queimado.
— Sakura, eu não fiz aquilo por pena.
— Então por quê?
Nathan respirou fundo. O peito dele subiu e desceu uma vez.
— Porque eu quis.
Meu coração disparou.
— O quê?
— Eu quis você.
Fiquei olhando para ele. A frase ficou suspensa entre nós, pesada demais para o tamanho da sala. Nathan passou a mão pelo rosto.
— E esse foi o problema.
— Por que querer alguém é um problema?
— Porque era você.
— Nossa, obrigada.
— Para de distorcer.
— Então explica direito.
Ele me encarou. Estávamos perto demais. Eu precisava erguer o rosto para acompanhar os olhos dele, e o cheiro de chuva na jaqueta que ele já tinha tirado ainda estava no ar.
— Você era a irmã do meu melhor amigo. Eu conhecia você desde criança. Eu tinha passado anos entrando naquela casa, convivendo com seus pais, com o Diego, com você. Na minha cabeça existia uma linha que eu não podia atravessar.
— E atravessou.
— Atravessei.
— Se arrependeu?
Nathan demorou alguns segundos.
— Não.
Meu coração bateu ainda mais rápido.
— Nunca?
— Não daquela noite.

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