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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 449

POV/ SAKURA

Até a noite em que começou a chover.

Eu estava sozinha em casa quando ouvi o primeiro trovão.

A chuva tinha começado fraca no fim da tarde, batendo nas janelas enquanto eu terminava uma atividade da faculdade. Não dei importância. Porto Alegre tinha dias assim, e eu já não era a adolescente que precisava verificar a previsão do tempo antes de dormir.

Pelo menos era o que gostava de dizer.

Pouco depois das dez, a chuva engrossou.

O vento começou a bater nos galhos das árvores do jardim, e a água escorria pelo vidro da sala em filetes grossos. Diego tinha saído depois do trabalho. Mandou uma mensagem avisando que chegaria tarde e perguntou se eu estava bem.

Respondi que sim.

Não contei sobre a tempestade.

Ele sabia que eu ainda não gostava de trovões, mas eu estava cansada de carregar medos antigos como se ainda tivesse quatorze anos.

Outro clarão atravessou a janela.

Contei mentalmente.

O trovão veio tão forte que meu corpo se contraiu antes que eu pudesse controlar.

Fechei os olhos.

— Ridículo — murmurei para mim mesma.

A televisão estava ligada, embora eu não estivesse prestando atenção. Aumentei o volume e voltei para o notebook.

Outro trovão.

Dessa vez, minhas mãos ficaram frias.

Respirei fundo e continuei tentando ler.

Eu sabia de onde vinha aquele medo. Não tinha nada de racional. Tempestades faziam parte de algumas das lembranças mais antigas da minha infância, e o tratamento tinha piorado tudo. Durante anos, trovão significava acordar assustada, correr para o quarto dos meus pais ou encontrar Diego e Nathan espalhados pela sala.

Nathan sempre percebia.

Às vezes antes de Diego.

Era irritante que, depois de tantos anos, meu corpo ainda lembrasse.

O celular vibrou.

Olhei imediatamente.

Era Diego.

Vai piorar aí. Fecha as janelas do andar de cima.

Respondi:

Já fechei.

Mentira.

Eu nem tinha subido.

Outro clarão iluminou a sala.

O estrondo veio logo depois.

Levantei depressa e fui conferir as janelas, xingando Diego, o clima e principalmente a mim mesma por ainda ficar nervosa com uma coisa tão idiota.

Quando voltei para a sala, alguém bateu à porta.

Parei no meio do corredor.

Olhei para o relógio.

Quase onze.

A campainha tocou.

Meu primeiro pensamento foi Diego.

O segundo foi que Diego tinha chave.

Aproximei-me da porta e olhei pelo visor.

Nathan.

Meu coração fez uma coisa estúpida dentro do peito.

Abri.

Ele estava molhado.

Não encharcado, mas o cabelo cacheado tinha pequenas gotas, e os ombros da jaqueta estavam escuros por causa da chuva. Nathan me olhou de cima a baixo antes de entrar.

— Tá tudo bem?

Segurei a porta.

— Boa noite pra você também.

— Sakura.

— O quê?

Outro trovão explodiu.

Meu corpo inteiro se contraiu.

Nathan ergueu uma sobrancelha.

— Tô ótima — falei.

Ele olhou para mim.

— Claro.

— O que você tá fazendo aqui?

— Vim ver se você tava bem.

— Por causa da chuva?

— Por causa da tempestade.

— É a mesma coisa.

— Não pra você.

Aquilo me irritou.

Também aqueceu alguma coisa dentro do meu peito que eu não queria examinar.

— Eu não tenho mais quinze anos.

— Eu sei.

— Então não precisa atravessar a rua toda vez que começa a chover.

Nathan passou por mim.

— Ótimo. Vou embora.

Fechei a porta.

— Eu não falei pra ir embora.

Ele virou o rosto.

— Então decide.

— Você que apareceu sem ser chamado.

— E você abriu a porta.

— Porque achei que pudesse ser importante.

Nathan começou a sorrir.

— E não sou?

Revirei os olhos.

— Arrogante.

Ele tirou a jaqueta e pendurou perto da porta.

Foi tão natural que meu corpo lembrou de uma época em que Nathan entrava naquela casa sem perguntar.

— Cadê o Diego?

— Saiu.

— Pra onde?

— Não sei.

Nathan me olhou.

— Você não sabe?

— Meu irmão é adulto. Não peço localização em tempo real.

— Evolução impressionante.

— Vai se ferrar.

Ele riu.

O som me atingiu de um jeito diferente.

Fazia muito tempo que eu não ficava sozinha com Nathan sem hospital, luto, exames ou Diego entre nós.

Voltei para o sofá.

Nathan veio atrás.

— Quer alguma coisa?

— Não.

— Água?

— Nathan.

— Café?

— São onze da noite.

— Você estuda até três da manhã.

Olhei para ele.

— Como você sabe?

Nathan apontou para o notebook.

— Olheira, café frio e uma planilha aberta.

— Sherlock Holmes.

— Além disso, Diego reclama.

Claro.

Diego.

Sempre havia uma maneira de ele entrar na conversa.

Nathan sentou na outra ponta do sofá.

— Como tá a faculdade?

— Bem.

— Gostando?

— De algumas matérias.

— Ainda quer Engenharia?

— Quero.

— Então vai fazer?

— Quando conseguir.

Ele assentiu.

— Você vai conseguir.

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