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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 448

POV/ SAKURA

Nos meses seguintes, aprendi que melhorar também podia ser cansativo.

Passei anos esperando uma cura como se fosse acordar certa manhã completamente saudável e começar a fazer tudo que não tinha conseguido fazer antes.

Não aconteceu assim.

Havia consultas de acompanhamento, exames, medicações, cuidados e dias em que eu me sentia ótima seguidos por outros em que meu corpo parecia me lembrar de tudo que tinha enfrentado.

Meu cabelo crescia.

Meu rosto recuperava cor.

Comecei a ganhar peso.

Minha resistência melhorou devagar.

Algumas roupas deixaram de servir.

A primeira vez que precisei comprar uma calça maior, fiquei quase dez minutos olhando meu reflexo no provador.

Durante anos, emagrecer tinha significado que alguma coisa estava errada.

Ganhar peso parecia uma vitória.

Comprei a calça sem reclamar.

Diego reclamou do preço.

— Você trabalha com um bilionário — falei enquanto saíamos da loja.

— Ele é bilionário. Eu não.

— Pede aumento.

— Vou dizer que minha irmã precisa de calça.

— Exatamente.

— Rocco vai mandar você trabalhar.

— Melhor ainda.

Meu irmão riu.

Foi nessa época que comecei a pensar seriamente no que faria da minha vida.

Eu sempre quis Engenharia Civil.

Desde criança.

Gostava de prédios, pontes, estruturas e qualquer coisa grande o suficiente para parecer impossível antes de alguém construir. Quando outros adolescentes falavam sobre profissões, eu dizia que queria participar da construção de coisas que continuariam de pé muito depois de mim.

A doença tinha bagunçado esse plano.

Eu tinha perdido aulas, estudado em períodos quebrados e passado tempo demais tentando apenas terminar a escola.

Agora queria uma faculdade.

O problema era que minha recuperação ainda não permitia que eu simplesmente começasse uma rotina presencial pesada e fingisse que os últimos anos não tinham acontecido.

Comecei a pesquisar cursos que pudesse fazer de casa.

Contabilidade apareceu como uma possibilidade prática.

Eu podia estudar on-line, organizar os horários em torno das consultas e continuar avançando mesmo nos dias em que estivesse cansada demais para sair.

Não era Engenharia Civil.

Também não precisava ser para sempre.

Quando contei para Diego, ele estava sentado à mesa da cozinha com o notebook aberto.

— Contabilidade? — repetiu.

— É.

— Você quer ser contadora?

— Quero estudar.

— Não foi o que eu perguntei.

Sentei na cadeira em frente.

— Eu ainda quero Engenharia Civil.

— Então faz Engenharia Civil.

— Diego, eu acabei de sair de um transplante.

— Não literalmente.

— Você entendeu.

Ele fechou o notebook.

— Entendi.

— Eu não sei como meu corpo vai reagir daqui pra frente. Não quero entrar numa faculdade presencial, faltar metade das aulas e passar os próximos anos me sentindo atrasada de novo.

Diego ficou quieto.

— Contabilidade eu consigo fazer on-line. Posso estudar daqui, continuar nas consultas e ter alguma coisa minha.

— E depois?

— Depois eu faço Engenharia.

— Duas faculdades?

Dei de ombros.

— Se eu sobrevivi à leucemia, consigo sobreviver a duas graduações.

Diego não riu.

Percebi o erro imediatamente.

— Foi mal.

Ele respirou fundo.

— Um dia eu vou parar de odiar essas piadas.

— Eu também.

— Mentira.

— Provavelmente.

Meu irmão estendeu a mão por cima da mesa.

Segurei.

— Se você quer Contabilidade, faz Contabilidade — disse ele. — Se daqui a alguns anos quiser Engenharia, faz Engenharia. Se mudar de ideia dez vezes, muda.

— Você vai pagar?

Diego soltou minha mão.

— Sabia que tinha alguma coisa.

Comecei a rir.

— Perguntar não custa.

— Pra você nunca custa.

— Vantagens de ser a irmã mais nova.

— Parasita.

— Te amo.

— Infelizmente, eu também.

Fiz minha matrícula.

Pela primeira vez em anos, comecei alguma coisa pensando que estaria viva para terminar.

Aquilo me assustou mais do que eu esperava.

Comprei cadernos.

Organizei horários.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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