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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 440

POV/ SAKURA

Nathan parou de mexer a perna. O silêncio ficou pesado na sala, esticado entre nós de um jeito que me deu vontade de engolir as próprias palavras.

— Sakura... — ele começou.

— O quê? Por que você tá com essa cara?

— Por que você tá me contando isso do nada?

— Porque é verdade. Cansei de fingir que minha vida é normal.

Ele passou a mão pelos cachos, soltando um suspiro curto.

— Eu já imaginei que... quer dizer, você acabou de falar que nunca namorou, então não era difícil de deduzir.

Baixe os olhos para minhas próprias mãos, sentindo o rosto esquentar.

— Eu nunca tive ninguém. Ninguém mesmo. Nunca fiquei com ninguém na escola, nunca fui a festas escondida para beijar alguém no escuro... nunca nem encostei nos lábios de outra pessoa.

Quando olhei para ele de novo, a expressão dele tinha mudado completamente. Aquele ar distraído sumira.

— Nunca? — perguntou, a voz saindo mais baixa.

— Não precisa fazer essa cara de quem viu um fantasma.

— Eu não tô fazendo cara nenhuma.

— Tá, sim. Tá com os olhos arregalados.

— Só não sabia que era assim.

— Agora sabe. — Encostei as costas no sofá, o peito subindo e descendo rápido demais. — E quer saber por que eu tô te falando isso bem agora? Porque eu posso morrer daqui a pouco sem saber qual é a sensação de ser beijada de verdade.

O rosto dele endureceu na mesma hora.

— Para de falar assim.

— É a verdade, Nathan.

— Não. — A resposta veio seca, cortante. — Não fala essa merda.

— Você não manda em mim!

— Você não vai morrer.

— Você não sabe! Ninguém sabe!

— Para de decidir isso por mim! — Levantei do sofá de uma vez, sentindo a tontura de sempre passar raspando.

Nathan levantou junto, o corpo tenso.

— Sakura...

— Você não tem noção do que é passar anos da sua vida trancada esperando o resultado de um exame para saber se vai continuar respirando no mês seguinte! Não sabe o que é olhar para todo mundo construindo planos enquanto você tem medo até de comprar um par de sapatos novos. Eu sei que posso melhorar, sei que posso fazer o transplante, entrar na faculdade, viajar e ficar velha. Mas também sei que posso não conseguir. E eu tô cansada de todo mundo usar a minha doença como desculpa para me tratar como se eu fosse de vidro!

Ele não respondeu. Fiquei ali parada, respirando fundo, com o ar queimando na garganta.

— Eu nunca beijei ninguém. Nunca tive namorado. Nunca tive nada.

— Você tem dezoito anos.

— Eu sei exatamente quantos anos eu tenho!

— Então ainda tem tempo.

— Você não sabe se eu tenho! — A voz dele falhou de repente, num som que arranhou o peito. — Para.

Parei. Nathan virou o rosto para o lado. Foi rápido, mas eu vi o brilho da lágrima descendo pela bochecha dele antes que ele levantasse a mão para limpar com pressa, como se quisesse apagar o que tinha feito.

Meu peito deu um baque dolorido. Eu já tinha visto Nathan triste dezenas de vezes. Tinha visto ele preocupado comigo nos dias de internação, irritado com a burocracia dos hospitais, cansado ou assustado. Mas nunca o tinha visto chorar por minha causa. Nunca.

— Nathan... — sussurrei, a raiva evaporando e deixando só um vazio esquisito.

— Você não pode morrer.

— Todo mundo morre, Nathan.

— Você não.

— Por quê? — perguntei, dando um passo na direção dele.

Ele olhou para mim. Os olhos verdes estavam molhados, brilhando sob a luz da sala.

— Porque você é importante pra mim.

Meu coração bateu tão forte que pareceu saltar na garganta.

— Importante?

Ele respirou fundo, fechando os olhos por um segundo antes de encarar de novo.

— Muito.

Não era a palavra que eu queria ouvir. Eu queria a outra. Aquela que eu guardava havia anos, pesada e entalada no fundo da garganta. Mas, naquela noite, decidi que me contentaria com aquilo.

Dei mais um passo, parando bem na frente dele. O cheiro dele — sabonete misturado com o tecido da blusa de frio — invadiu tudo.

— Eu não quero um estranho — falei baixinho.

Nathan ficou imóvel, os músculos do braço travados.

— Não faz isso comigo, Sakura.

— Fazer o quê?

— Isso. Essa conversa.

CAP. 467 — Porque você é importante pra mim. 1

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