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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 439

POV/ SAKURA

Eles eram melhores amigos havia anos. Nathan entrava na nossa casa sem bater, e Diego fazia a mesma coisa na dele. Brigavam, discutiam, se xingavam e, cinco minutos depois, estavam conversando normalmente.

Quando nossos pais morreram, Nathan foi uma das poucas pessoas diante de quem Diego chorou.

Eu vi.

Uma madrugada, acordei com sede e encontrei os dois sentados no chão da cozinha. Diego estava com o rosto escondido nas mãos, e Nathan permanecia ao lado dele.

Não ouvi o que conversavam.

Voltei para o quarto antes que percebessem que eu estava ali.

Aquela lembrança passou a me incomodar depois que encontrei as pesquisas.

Não porque houvesse alguma coisa errada em meu irmão gostar de homens.

Eu não me importava.

Diego continuaria sendo Diego.

O problema era que eu amava Nathan.

E comecei a me perguntar se meu irmão também amava.

Talvez estivesse com ciúme de uma coisa que nem existia. Nathan era seu melhor amigo, e os dois tinham enfrentado muita coisa juntos. Eu sabia que aquela amizade era importante.

Mas também sabia que Nathan sempre parecia ser a primeira pessoa que Diego procurava quando estava com algum problema.

E, quando Nathan precisava de alguma coisa, Diego largava tudo.

Às vezes, eu me perguntava se meu irmão já tinha deixado de sair com alguma mulher porque preferia ficar com Nathan.

Depois me sentia uma idiota.

Talvez Diego simplesmente não quisesse namorar.

Talvez estivesse interessado em outra pessoa.

Talvez eu estivesse tão apaixonada por Nathan que enxergava concorrência onde não existia.

Nunca perguntei.

Nem para Diego.

Muito menos para Nathan.

Os anos passaram, e minha doença continuou interferindo em praticamente tudo.

Não tive festa de quinze anos. Aos dezesseis, passei meu aniversário em casa porque não podia receber muitas visitas. Aos dezessete, precisei cancelar outros planos.

A escola também virou um problema.

Eu queria frequentar as aulas, participar das atividades e reclamar das provas como qualquer adolescente. Mas havia períodos em que minha imunidade estava tão baixa que os médicos recomendavam evitar ambientes cheios.

Perdi passeios, comemorações e encontros com colegas.

Também não consegui participar da minha formatura escolar como queria.

Enquanto outras meninas experimentavam vestidos e combinavam maquiagem, eu precisava pensar em exames e cuidados para não contrair alguma infecção.

Chorei naquele dia.

Diego tentou me animar.

Nathan também.

Eu mandei os dois se ferrarem.

Depois pedi desculpas.

Não adiantava ficar com raiva deles. Nenhum dos dois tinha provocado minha doença, e ambos estavam tentando fazer com que eu me sentisse melhor.

Mas eu estava cansada de assistir à vida dos outros.

Diego, pelo menos, tinha conseguido avançar profissionalmente. Mesmo com todas as dificuldades, continuou estudando e trabalhando. Eu sabia quanto esforço aquilo exigia dele.

Rocco ocupava boa parte de seus dias, e havia noites em que Diego chegava tão cansado que mal conseguia jantar.

Ainda assim, antes de dormir, aparecia no meu quarto.

— Tá precisando de alguma coisa?

— Tô.

— O quê?

— Que você pare de trabalhar tanto.

Ele sorria.

— Vou conversar com o Rocco.

— Conversa mesmo.

— Vou mandar ele comprar outra empresa pra eu ter mais serviço.

Jogava uma almofada nele.

Diego ria e saía antes que eu conseguisse acertar a segunda.

Eu tinha orgulho do meu irmão.

Também sentia culpa.

Queria vê-lo se formar, crescer profissionalmente, viajar e aproveitar tudo aquilo que tinha conquistado.

E queria que ele encontrasse alguém.

Alguém que cuidasse dele quando estivesse cansado, que perguntasse como tinha sido seu dia e que o obrigasse a pensar em alguma coisa além de trabalho e hospital.

Não precisava ser uma mulher.

Eu já tinha pensado bastante sobre isso.

Só queria que ele tivesse alguém.

Porque eu sabia que Diego me amava.

O que eu não sabia era se ele tinha conseguido reservar algum espaço para amar outra pessoa.

Quando completei dezoito anos, ainda estava em tratamento.

E recebi outra notícia ruim.

Os resultados não eram os que esperávamos. Os médicos já tinham conversado conosco sobre a possibilidade de transplante, mas, naquela semana, o assunto passou a ocupar praticamente todas as nossas conversas.

Precisávamos continuar o tratamento e avançar na busca por um doador compatível.

Diego fingia tranquilidade.

Era péssimo nisso.

Eu percebia quando ele estava preocupado porque limpava os óculos mesmo quando as lentes estavam limpas.

Naquela noite, fez isso umas quinze vezes.

Era a noite da formatura dele.

Depois de tantos anos conciliando estudo, trabalho e meus tratamentos, meu irmão finalmente teria uma comemoração que era exclusivamente sua.

Eu não podia acompanhá-lo.

Mais uma vez, minha saúde tinha decidido por mim.

Diego já estava pronto para sair, mas continuava andando pela sala, conferindo o celular e perguntando se eu precisava de alguma coisa.

— Vai estragar o vidro.

Ele levantou a cabeça.

— O quê?

— Seus óculos.

Diego colocou de volta no rosto.

— Dorme, Sakura.

— Ainda são nove horas.

— Você tá cansada.

— Eu tenho dezoito anos, não oitenta.

— Seu exame veio uma merda.

— Obrigada pela delicadeza.

Ele bufou.

— Você entendeu.

Nathan estava sentado na outra ponta do sofá, assistindo à discussão sem se meter.

Olhei para ele.

— Fala pra esse idiota parar.

— Não vou entrar nessa.

— Covarde.

— Muito.

Diego olhou novamente para o celular.

— Eu posso ficar.

Fechei os olhos.

— Não começa.

— Não tem problema.

— Diego, é a sua formatura!

— Eu sei.

— Então vai!

— Você recebeu essa notícia hoje. Precisa de um transplante de medula. Se a gente achar um doador, você tem cerca de 60% de chance de cura, mas a probabilidade de encontrar alguém compatível fora da família é de uma em cem mil pessoas.

— E ficar aqui olhando pra minha cara vai mudar o resultado?

Ele não respondeu.

Eu me levantei e fui até ele.

— Você estudou, trabalhou, cuidou de mim e passou anos reclamando que não tinha tempo nem pra dormir. Vai comemorar essa porcaria!

Nathan começou a rir.

— Ela tem razão.

Diego apontou para ele.

— Você não ajuda.

— Tô tentando.

Meu irmão voltou a me olhar.

CAP. 465/ 466 - — Eu nunca transei. Nem beijei na boca. Nunca fiz nada disso. 1

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