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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 438

POV/ SAKURA

Durante os primeiros dias depois do acidente, nossa casa ficou cheia de parentes, conhecidos, comida que ninguém comia, gente entrando e saindo e telefone tocando. Todos perguntavam se precisávamos de alguma coisa, mas ninguém parecia saber o que fazer quando respondíamos que queríamos nossos pais de volta.

Depois todo mundo foi embora.

Foi quando ficou pior.

As coisas dos meus pais continuavam nos mesmos lugares. A bolsa da minha mãe ainda estava no quarto, os sapatos do meu pai continuavam guardados e a caneca que ele tinha usado antes de sair permanecia na cozinha. Durante semanas, não consegui entrar no banheiro sem sentir o perfume dela.

Eu tinha aproximadamente quatorze anos e ainda estava doente.

Continuava precisando de remédios, consultas, exames e internações. Havia dias em que mal conseguia levantar, mas a vida de Diego não podia parar porque eu estava doente. Ele também tinha perdido os pais. Também precisava estudar, trabalhar e encontrar alguma maneira de continuar vivendo.

Só que meu irmão parecia ter esquecido essa última parte.

Diego assumiu as contas, os documentos, as conversas com os médicos e tudo aquilo que nossos pais costumavam resolver. Continuou com os próprios estudos e, conforme os anos passaram, começou a trabalhar com Rocco Blackwood.

Se alguém conhecia Rocco, sabia que trabalhar para ele não era exatamente uma atividade tranquila.

O homem tinha dinheiro suficiente para comprar praticamente qualquer coisa, era dono de um clube adulto e tinha uma quantidade absurda de mulheres interessadas nele. Além disso, trabalhava como se todo mundo tivesse obrigação de acompanhar seu ritmo.

Diego reclamava que Rocco não sabia a diferença entre horário comercial e madrugada.

Eu dizia que meu irmão precisava aprender a desligar o celular.

Ele respondia que eu precisava aprender a tomar meus remédios sem que alguém mandasse.

Era assim que nossas discussões terminavam.

— Você tomou o remédio? — perguntou certa manhã, enquanto procurava alguma coisa dentro da pasta de trabalho.

— Tomei.

— Qual?

— Diego...

— Qual, Sakura?

— O da manhã.

Ele interrompeu o que estava fazendo e me encarou por cima dos óculos.

— Tem três de manhã.

— Eu tomei os três!

Diego foi conferir mesmo assim.

— Você é insuportável — reclamei.

— E você é uma mentirosa profissional.

— Eu nunca menti sobre remédio!

— Ontem você disse que tinha comido.

— Eu comi!

— Duas bolachas não são almoço.

Mostrei o dedo do meio.

Ele beijou minha testa antes de sair.

— Também te amo, chata.

Eu brigava com Diego quase todos os dias. Depois ficava olhando para a porta, pensando que ele deveria estar fazendo alguma coisa muito mais interessante do que discutir comigo sobre comida e comprimidos.

Meu irmão tinha amigos, trabalho e uma vida inteira pela frente. Era inteligente, bonito e já tinha idade suficiente para morar sozinho, viajar ou simplesmente sair sem precisar avisar a irmã mais nova.

Mas sempre voltava para casa.

Nathan ajudava quando podia.

Às vezes dormia conosco. Em outras noites, Diego atravessava a rua e dormia na casa dele. Quando meu irmão precisava trabalhar até tarde, Nathan me acompanhava às consultas ou buscava alguma coisa de que eu precisava.

Só que Nathan também tinha sua própria vida.

Estudava, saía, trabalhava e arrumava mulheres com uma facilidade que me irritava profundamente. Ele e Diego tinham frequentado a mesma universidade, e eu sabia que Nathan também estava construindo a própria carreira.

Eu não gostava de pensar nisso.

Principalmente na parte das mulheres.

Os amigos deles também começaram a ocupar mais espaço nas conversas que eu ouvia dentro de casa.

Rocco Blackwood era praticamente uma celebridade naquele grupo. Rico, arrogante, mulherengo e incapaz de aceitar que alguém lhe dissesse não. Diego voltava do trabalho reclamando das exigências dele e, pouco depois, estava rindo de alguma besteira que Rocco tinha feito.

Christian Blackwood, primo de Rocco, passava boa parte do tempo na Inglaterra. Era bonito, rico e tinha uma reputação muito diferente daquela que eu conhecia de Nathan e Rocco. Havia alguém por quem Christian parecia completamente apaixonado, embora eu não soubesse quem era.

Arthur também fazia parte daquela turma. Era filho do dono do Erotic's Boys, trabalhava no clube e, pelo que eu ouvia, não tinha dificuldade nenhuma para conseguir companhia.

E havia Nathan.

Sobre Nathan, eu preferia nem comentar.

Às vezes, Diego voltava do clube e contava alguma história absurda. Rocco tinha discutido com alguém, Arthur tinha aprontado alguma coisa ou Nathan tinha desaparecido acompanhado de uma mulher.

Eu fingia que não estava interessada.

— E você? — perguntei uma noite, enquanto Diego guardava algumas coisas na cozinha.

— Eu o quê?

— Não pegou ninguém?

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