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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 435

POV SAKURA

Às vezes, jogávamos videogame.

Às vezes, ele levava alguma coisa para comer e eu não conseguia dar duas mordidas.

Em outros dias, eu ficava deitada enquanto ele fazia tarefa ou mexia no celular.

Diego também estava sempre por perto.

Meu irmão ficou ainda mais insuportável depois do diagnóstico.

Perguntava se eu tinha tomado remédio, se tinha comido, se estava com febre, se estava cansada, se queria água, se estava com frio.

Uma vez, espirrei na sala.

Ele apareceu correndo.

— Você tá gripada?

— Eu espirrei.

— Sua garganta tá doendo?

— Não.

— Tá com febre?

— Diego, eu espirrei!

Nathan começou a rir no sofá.

— Daqui a pouco ele compra uma bolha pra te colocar dentro.

Diego apontou para ele.

— Você cala a boca porque é outro irresponsável.

— Eu não fiz nada.

— Exatamente.

Meus pais tentavam impedir que a doença engolisse a casa inteira.

Meu pai continuava trabalhando e viajando quando precisava, embora reduzisse as viagens sempre que podia. Minha mãe passou a organizar a rotina em torno dos meus tratamentos sem nunca admitir que estava fazendo isso.

Eu percebia.

Percebia quando ela chorava escondida no banheiro.

Percebia quando meu pai chegava tarde e entrava no meu quarto só para conferir se eu estava respirando.

Percebia Diego pesquisando coisas no computador e fechando a tela quando eu aparecia.

Eu fingia não perceber porque não sabia como ajudá-los.

Aos poucos, meu cabelo ficou tão ralo que parei de insistir.

Foi minha decisão.

Chamei minha mãe no quarto e pedi para cortar.

Ela perguntou três vezes se eu tinha certeza.

Na terceira, fiquei irritada.

— Mãe, pega a máquina antes que eu desista.

Diego apareceu na porta.

— O que vocês vão fazer?

— Tirar.

Ele olhou para minha cabeça.

— Agora?

— Agora.

— Quer que eu fique?

— Não.

— Tá.

Ele continuou parado.

— Diego.

— O quê?

— Eu falei que não.

— Eu ouvi.

— Então sai.

Ele saiu.

Minha mãe começou pelas mechas maiores.

Eu fiquei diante do espelho tentando não chorar.

Quando ouvi a máquina ligar, fechei os olhos.

O som pareceu muito pior do que deveria.

Depois de alguns minutos, alguém bateu na porta.

Minha mãe desligou a máquina.

— Quem é?

— Eu.

Nathan.

Revirei os olhos.

— Ele tem algum problema de audição?

Minha mãe sorriu de leve.

— Quer que eu mande embora?

Olhei meu reflexo.

Metade do cabelo já tinha desaparecido.

— Não.

Ela abriu.

Nathan entrou.

Ficou parado durante alguns segundos.

Eu esperei a expressão dele mudar.

Esperei pena.

Choque.

Qualquer coisa.

Ele só olhou para mim.

— Posso ajudar?

Minha mãe entregou a máquina.

— Você sabe usar?

— Não.

— Então não — respondi imediatamente.

Ele riu.

Minha mãe terminou.

Quando tudo acabou, passei a mão pela cabeça.

A sensação era estranha.

Olhei para o espelho e comecei a chorar.

Minha mãe me abraçou por trás.

Nathan permaneceu quieto.

Eu limpei o rosto.

— Pode falar.

— O quê?

— Que ficou horrível.

— Não ficou.

— Nathan.

Ele aproximou a cadeira e sentou na minha frente.

— Quer saber o que eu tô pensando de verdade?

Assenti.

— Que você continua sendo você.

Comecei a chorar mais.

— Isso foi muito idiota.

— Eu sei.

— E clichê.

— Também.

— Odeio você.

— Beleza.

Minha mãe riu atrás de mim.

Naquela noite, Nathan ficou para jantar.

No dia seguinte também apareceu.

E no outro.

Algumas semanas eram melhores.

Outras eram uma merda.

CAP. 461 - IRMÃOS MAIS VELHOS 1

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