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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 434

POV/ SAKURA

Mostrei o dedo do meio para ele.

Diego reclamou:

— Para de ensinar merda pra minha irmã, Nathan.

— Eu nem falei nada!

Minha mãe abriu a porta.

— Vamos, Sakura.

Peguei a bolsa e caminhei até ela.

Antes de sair, olhei para trás.

Nathan ainda estava sentado no sofá.

Os olhos verdes encontraram os meus.

Ele levantou a mão e fez um sinal curto com os dedos, como se dissesse para eu ir logo.

Eu fui.

Naquela noite, fiz exames.

Depois vieram outros.

Mais sangue.

Mais médicos.

Mais salas de espera.

Até que, alguns dias depois, entrei em um consultório com meus pais e Diego e percebi que ninguém estava olhando para mim direito.

Minha mãe segurava minha mão com força demais.

Meu pai estava sentado do outro lado, inclinado para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos.

Diego não parava de mexer a perna.

O médico abriu os exames sobre a mesa.

Falou algumas coisas primeiro.

Eu não prestei atenção.

Só consegui entender quando ouvi uma palavra.

— ...leucemia.

Olhei para minha mãe.

Ela começou a chorar.

— Mãe?

Ninguém respondeu.

Puxei minha mão da dela.

— O que ele falou?

Diego levantou da cadeira.

— Sakura...

— Eu ouvi a palavra. O que ele falou?

Meu pai passou a mão pelo rosto.

O médico virou a cadeira um pouco mais na minha direção.

— Sakura, os seus exames mostram alterações importantes nas células do sangue. Nós precisamos começar o tratamento e fazer outros exames para entender exatamente como vamos conduzir isso.

Fiquei olhando para ele.

— Eu tenho câncer?

O consultório ficou quieto.

Minha mãe apertou minha mão outra vez.

Foi o suficiente.

Levantei tão rápido que a cadeira arrastou no chão.

— Eu quero ir embora.

— Filha...

— Eu quero ir pra casa.

Minha mãe tentou me abraçar, mas me afastei.

— Eu quero ir pra casa!

Diego segurou meus ombros.

— Sakura.

— Me solta!

Empurrei as mãos dele e saí do consultório.

Atravessei o corredor sem saber para onde estava indo, entrei no primeiro banheiro que encontrei e tranquei a porta.

Sentei no chão.

Só então comecei a chorar.

Não sei quanto tempo fiquei ali.

Quando finalmente saí, meus olhos ardiam e minha cabeça doía.

Diego estava esperando no corredor.

E Nathan estava ao lado dele.

Parei.

— O que ele tá fazendo aqui?

Diego passou a mão pela nuca.

— Eu liguei pra ele.

— Por quê?

— Porque eu não sabia o que fazer.

Nathan não disse nada.

Eu olhei para ele.

O menino que tinha feito minhas tranças.

O garoto que tinha me dado sorvete, me ensinado a chutar uma bola e feito os meninos da escola pararem de me chamar de placa.

O meu primeiro amor.

A única pessoa diante de quem eu não queria parecer doente.

Nathan abriu os braços.

Eu fui até ele.

Enterrei o rosto no peito dele e chorei.

— Eu não quero morrer.

A mão de Nathan parou na parte de trás da minha cabeça.

— Você não vai.

— Você não sabe.

— Não sei.

Apertei a camisa dele entre os dedos.

Nathan me abraçou com mais força.

— Mas eu vou ficar aqui.

E, naquele dia, ficou.

Nathan cumpriu a promessa.

No começo, eu achei que ele só tinha dito aquilo porque eu estava chorando no corredor de um hospital e ninguém sabia o que falar para uma menina de treze anos que tinha acabado de descobrir que estava com leucemia.

Mas ele ficou.

Nos primeiros meses, minha vida mudou tão rápido que eu parei de entender que dia da semana era.

Eu sabia os dias de consulta, os dias de exame e os dias de tratamento. Sabia quando precisava colher sangue, quando o médico queria repetir alguma coisa e quando minha mãe começava a separar uma bolsa porque existia a possibilidade de eu ficar internada.

Segunda, terça e quarta perderam a importância.

Minha escola começou a acontecer entre períodos em que eu conseguia frequentar as aulas e outros em que estudar significava abrir um caderno na cama e tentar me concentrar por vinte minutos.

Eu odiava aquilo.

Odiei ainda mais quando meu cabelo começou a cair.

No início, foram alguns fios no travesseiro.

Depois, fios no banho.

Na escova.

Na minha camiseta.

Na comida.

Eu passava a mão pela cabeça e encontrava cabelo preso entre os dedos.

Minha mãe tentou fingir que não estava assustada.

— A gente pode cortar um pouquinho mais curto. Vai ficar lindo.

— Não quero cortar.

— Tudo bem.

— E não quero raspar.

— Ninguém vai raspar se você não quiser.

Dois dias depois, acordei e encontrei uma quantidade enorme de cabelo no travesseiro.

Fiquei olhando.

Minha mãe entrou no quarto carregando uma bandeja com café da manhã e parou assim que viu minha cara.

— Sakura...

— Fecha a porta.

Ela colocou a bandeja na cômoda.

— Filha...

— Fecha a porta, mãe.

Ela obedeceu.

Peguei uma mecha caída e mostrei.

CAP. 460 - A VIDA DEPOIS DO CANCÊR 1

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