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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 427

POV/ SKY

— Nós somos amigos — respondi, engolindo o orgulho a seco.

Ele me observou por alguns segundos, desconfiado:

— Apenas amigos?

— Foi o que eu falei.

— Ótimo.

Apertei o lençol com as unhas.

— Agora pode ir embora.

Ele ignorou a minha ordem:

— Rocco é um Blackwood. Eu criei aquele rapaz para entender o peso do nosso sobrenome. Existe um futuro preparado para ele, responsabilidades, patrimônio e compromissos que uma pessoa como você jamais entenderia.

— Uma pessoa como eu?

— Uma Bittencourt.

Meu rosto esquentou de raiva:

— Qual é o problema com o meu sobrenome?

— O seu sobrenome é problema suficiente para uma vida inteira.

— O senhor não sabe nada sobre mim.

— Sei exatamente de onde você veio.

— E daí?

Ele bateu a ponta da bengala no chão:

— Os Bittencourt passaram a vida roubando, enganando e tentando tirar vantagem de pessoas melhores do que eles. São parasitas.

O sangue ferveu na minha cabeça. A imagem do meu pai sendo cremado naquele mesmo momento explodiu no meu peito:

— NÃO FALA DA MINHA FAMÍLIA!

— Sua família? — ele desdenhou.

— O meu pai acabou de morrer! — minha garganta arranhou, a voz falhando em tosse. — Hoje é a despedida dele e eu nem pude estar lá!

O velho continuou imóvel, sem demonstrar a menor piedade:

— Então não fala dele na minha frente! — gritei, com as lágrimas lavando a minha cara.

Ele me encarou com frieza:

— O seu pai causou destruição demais a esta família.

— Ele não tá aqui pra se defender, seu covarde! — minha voz subiu, rasgada. — E eu não vou ficar ouvindo o senhor chamar ele de ladrão no dia do enterro dele!

— Talvez devesse ter pensado nisso antes de morrer.

Meu peito travou.

— Sai...

Ele continuou parado.

— Sai do meu quarto agora!

— O seu pai morreu tarde.

Fiquei sem ar. As palavras dele ecoaram na sala como um tiro.

— O... o quê?

— Você ouviu muito bem.

Meu corpo inteiro começou a tremer de pavor e ódio:

— Não fala isso...

— Homens como ele só deixam sujeira por onde passam. E depois os filhos aparecem querendo ocupar lugares que não lhes pertencem.

— Cala a boca...

— Fique longe do Rocco.

— CALA A BOCA!

O monitor cardíaco na parede disparou num apito agudo.

— Ele não pertence a você, garota. Nunca pertenceu.

— EU MANDEI O SENHOR CALAR A BOCA!

Tentei impulsionar o meu corpo para a frente para me sentar na cama.

No mesmo segundo, uma dor lancinante atravessou o fundo do meu ventre.

Travei no meio do movimento.

O ar sumiu dos meus pulmões com a violência da pontada.

— Ai!...

Levei as duas mãos para a barriga num reflexo cego.

Outra cólica veio logo atrás. Mais funda. Dilacerante.

— Não...

O pânico tomou conta de mim num choque gelado.

— Não, não, não, não...

Senti uma onda quente e úmida escorrer com força por entre as minhas coxas.

Puxei o cobertor para o lado com a mão trêmula.

O sangue estava lá. Escuro, manchando o lençol branco de novo.

— Meu bebê...

Ergui os olhos em desespero para o avô de Rocco:

— Chama alguém! — implorei, o queixo batendo.

Ele não se mexeu um milímetro. Apenas me olhou de cima.

— Chama a enfermeira, pelo amor de Deus!

Outra contração me dobrou ao meio sobre a cama:

— AAAAAI! MEU DEUS!

Estiquei o braço com todo o desespero do mundo para alcançar a campainha de emergência na parede, mas o fio estava enrolado longe da cabeceira. Meus dedos só acertaram o suporte do soro, que balançou perigosamente.

— POR FAVOR, CHAMA AJUDA!

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