POV/ SKY
Fechei os olhos por um segundo.
Eu não tinha força para aquilo.
— Jussara, não.
— Você ainda tem coragem de aparecer aqui?
A enfermeira se posicionou atrás da minha cadeira.
— Senhora, mantenha distância da paciente.
Jussara ignorou.
— O Rocco tá entubado por sua causa!
Meu coração bateu mais forte.
— Cala a boca.
— Se ele não tivesse se envolvido com você, nada disso teria acontecido!
— Senhora — a enfermeira repetiu, mais firme. — Pare agora.
Jussara apontou para mim.
— Essa mulher só trouxe problema pra vida dele. Olha o estado em que ele tá!
Meu rosto esquentou.
A culpa já estava dentro de mim.
Eu não precisava que ninguém colocasse mais.
— Eu mandei você calar a boca.
— Jussara.
A voz masculina veio de trás.
Lorenzo.
Ela olhou para ele, mas não pareceu intimidada o suficiente para parar.
— Eu tô mentindo? Ele quase morreu por causa dela!
— Chega — Lorenzo cortou.
A enfermeira segurou a alça da cadeira.
— Nós vamos voltar para o quarto.
— Não — Jussara insistiu. — Eu quero saber por que ela tá aqui. Por que deixaram essa mulher entrar na UTI?
— Porque ela é paciente deste hospital e recebeu autorização da equipe — a enfermeira respondeu.
— Paciente? O que ela tem?
Meu corpo ficou rígido.
Olhei imediatamente para a enfermeira.
Não.
Ela percebeu.
— Ela sofreu um trauma grave no mesmo incidente e está internada sob acompanhamento médico. Isso é tudo o que a senhora precisa saber.
Jussara soltou uma risada sem humor.
— Claro. Sempre tem alguma coisa com ela.
— Chega — repeti.
Foi então que o senhor mais velho se aproximou. O avô de Rocco.
Não precisei perguntar quem era para perceber que estava acostumado a ser obedecido a vida inteira.
Ele parou alguns passos à nossa frente e me observou por alguns segundos, apoiado na bengala.
— Quem é você?
Minha boca estava seca.
— Sky.
Ele continuou me encarando.
— Sky o quê?
— Bittencourt.
A mudança foi imediata.
O rosto dele endureceu.
Os dedos enrugados apertaram o cabo da bengala com força.
— Bittencourt?
— Sim.
Ele olhou para Lorenzo.
Depois voltou para mim.
— Tire essa moça daqui.
Franzi a testa.
— O quê?
Ele se dirigiu à enfermeira com autoridade absoluta:
— Ela não entra novamente na UTI.
Meu coração disparou.
— Não. O senhor não pode fazer isso.
— Posso.
— Rocco é meu...
Parei.
Meu namorado.
Meu noivo.
Pai do meu filho.
Nenhuma daquelas respostas podia sair.
Não ali.
Não com Jussara ao lado.
Não com a família dele que eu nem conhecia.
— Ele é meu amigo — terminei.
O velho me encarou com desprezo:
— Então se comporte como uma amiga e fique longe dele.
— Eu não vou ficar longe do Rocco.
— Vai.
A firmeza da resposta me deixou sem ar.
— Quem o senhor pensa que é?
— Alguém que não vai permitir outra Bittencourt perto da minha família.
Senti um arrepio subir pelas costas.
— O que isso quer dizer?
Ele ignorou minha pergunta.
— Tire-a daqui.
A enfermeira começou a empurrar a cadeira.
— Não! Espera.
Tentei segurar a roda.
— Eu preciso voltar. Eu preciso ver ele.
— Sky — a enfermeira falou baixo. — Você precisa se acalmar.
— Mas ele não pode me proibir!
O velho deu mais um passo, a bengala estalando no chão:
— Posso. E vou.
Olhei para Lorenzo.
Ele parecia tenso, desconfortável com a cena.

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