POV/ SKY
A pancada subiu pelo meu quadril. Minha cabeça girou e precisei fechar os olhos para o quarto parar de rodar.
Fiquei sentada no piso, tonta.
Moon se abaixou.
— Eu falei pra você não levantar!
— Me ajuda.
— Volta pra cama.
— Me ajuda a levantar.
— Sky...
— Eu preciso ver ele.
Tentei apoiar uma mão no chão.
Foi quando senti.
Quente.
Entre as pernas.
Parei.
Franzi a testa.
— O quê...?
Moon ainda falava alguma coisa, mas não prestei atenção.
A sensação continuou.
Olhei para baixo.
Havia sangue na parte interna da minha coxa.
Por um segundo, fiquei apenas encarando aquilo sem entender de onde tinha vindo.
Fiquei imóvel.
— Moon...
Ela parou.
— O quê?
Passei a mão por baixo do camisolão.
Quando puxei, meus dedos estavam vermelhos.
Meu coração deu uma batida forte.
Depois outra.
Olhei para eles.
Depois para Moon.
— Eu tô sangrando.
Ela olhou.
— Meu Deus.
— Eu tô sangrando.
Mais sangue escorreu.
Dessa vez eu senti claramente.
Meu corpo inteiro gelou.
— Moon...
Minha voz começou a tremer.
— Por que eu tô sangrando?
— Enfermeira!
— Moon...
— ENFERMEIRA!
Ela levantou.
— ENFERMEIRA! POR FAVOR!
— Eu tô sangrando!
Olhei para o chão.
O medo voltou diferente.
Eu não sabia de onde vinha aquele sangue. Não sabia se tinha me machucado na queda, na explosão ou agora. Não sabia o que estava acontecendo dentro do meu corpo.
Só sabia que tinha sangue demais.
— O que tá acontecendo comigo?
A porta abriu.
Duas enfermeiras entraram.
— O que aconteceu?
Moon apontou para mim.
— Ela caiu. Ela tá sangrando.
Uma das enfermeiras se abaixou.
— Sky, não tenta levantar.
— O que é isso?
— A gente vai colocar você na cama.
— Por que eu tô sangrando?
— Primeiro vamos levantar você, tá?
— Mas o que aconteceu?
— Calma. Uma coisa de cada vez.
As duas passaram os braços por mim.
— No três. Um, dois, três.
Meu corpo saiu do chão.
Uma dor apertou o baixo da barriga.
— Ai!
Meu braço agarrou o ombro da enfermeira por reflexo.
— Devagar.
Me colocaram na cama.
Olhei para o camisolão.
Sangue.
No tecido.
Na minha perna.
No lençol.
Minha respiração ficou curta.
— Eu tô sangrando muito?
— A médica já vem.
— Eu tô bem?
Moon apareceu ao lado.
— Ela tá bem?
— Vamos avaliar.
— Mas ela tá bem?
— Moon...
— Ela tá bem?!
A enfermeira segurou meu ombro.
— Sky, fica deitada.
— Eu não sei por que tô sangrando.
— Eu sei. Respira.
— Eu preciso ver o Rocco.
— Primeiro a gente cuida de você.
— Não.
— Sky...
— Eu preciso...
A porta abriu novamente.
Uma médica entrou.
Ela veio até a cama, perguntou alguma coisa para a enfermeira e olhou o lençol.
Depois olhou para mim.
— Sky?
— O que tá acontecendo?
— Vou examinar você.
— Por que eu tô sangrando?
— Eu vou explicar.
— Eu tô morrendo?
— Não.
Moon soltou o ar.
— Ela tá bem?
A médica olhou para ela.
— Eu preciso que vocês duas tentem me ouvir.
— Eu tô ouvindo — falei.
Minha voz tremia.
Ela puxou um banco para perto da cama.
— Quando você chegou ao hospital, estava desacordada. Por isso, a equipe fez alguns exames.
Pisquei.
— Tá.
— Exame de sangue também.
— Tá.
Ela fez uma pausa curta.
— Um deles foi o beta-hCG.
Franzi a testa.
— O quê?
— Beta-hCG.
— Não sei o que é isso.
— É um teste de gravidez.
Fiquei olhando.
— O quê?
Moon parou de respirar ao meu lado.
A médica continuou devagar.
— O resultado deu positivo.
Não entendi.
— Positivo...?
— Sim.
— Pra quê?

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