POV/ SKY
— Não!... ELE MORREU?
— Não!
— FALA!
— ELE TÁ VIVO!
Parei.
Minha mão continuou presa na roupa dela.
Por alguns segundos, eu só consegui olhar para a cara da minha irmã.
O coração ainda batia rápido demais. Eu sentia cada pancada no peito, uma atrás da outra, enquanto tentava entender aquelas três palavras.
Ele tá vivo.
Rocco estava vivo.
— O quê?
— Ele tá vivo.
— Tá?
— Tá.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Você viu?
— Vi.
— Ele tá vivo mesmo?
— Tá, Sky.
Fechei os olhos.
O ar saiu de mim num soluço.
— Graças a Deus...
Levei a mão à boca.
— Graças a Deus.
Chorei.
Meu corpo começou a tremer outra vez. Apertei os olhos, tentando respirar pelo nariz, mas minha garganta doía e o choro atrapalhava tudo. Eu queria me agarrar àquela informação. Queria pensar somente nela.
Rocco estava vivo.
Só que não era alívio de verdade.
Como podia ser?
Meu pai estava morto.
Aquela verdade continuava ali. Eu tinha acabado de ouvir que o homem que eu tinha levado para casa poucas horas antes não estava mais vivo.
E, ao mesmo tempo, Rocco estava.
Pelo menos Rocco estava vivo.
Eu ainda tinha Rocco.
Abri os olhos.
— Eu quero ver ele.
Moon não respondeu.
O silêncio dela fez meu coração acelerar outra vez.
— Quero ver o Rocco.
— Sky...
— Onde ele tá?
— No CTI.
Minha respiração parou de novo.
CTI.
A palavra entrou na minha cabeça e ficou ali.
Não era um quarto normal. Não era observação. Não era alguém esperando resultado de exame.
— Por quê?
— Ele se machucou.
— Como?
Moon enxugou o rosto.
— Ele entrou atrás de você.
Meu peito apertou.
Eu sabia.
Eu lembrava.
Os braços dele me puxando.
A voz dele gritando.
Eu batendo nele.
Eu pedindo para voltar.
A fumaça entrando pela minha boca. O calor. Minha cabeça doendo. Eu tentando escapar dos braços dele porque meu pai continuava lá dentro.
Depois ele voltou.
Meu estômago embrulhou.
— Ele voltou pro apartamento.
Não foi pergunta.
Moon assentiu.
— Tentou chegar no quarto do pai.
A culpa me acertou de novo.
— Não...
Baixei os olhos para minhas mãos.
Rocco tinha voltado.
Depois de conseguir me tirar dali, ele tinha entrado outra vez porque eu tinha implorado pelo meu pai.
Por minha causa.
— Os bombeiros tiraram ele.
— O que aconteceu?
— Fumaça. Queimadura.
— Onde?
— Braços... parte do peito.
— E ele tá acordado?
Moon balançou a cabeça.
— Não.
— Por quê?
— Tá sedado.
Demorei um segundo para perguntar.
Eu não queria.
Mas precisava.
— Entubado?
Ela assentiu.
Meu estômago virou.
— Não...
Levei as mãos ao rosto.
— Não, não, não...
A palavra começou a sair sozinha.
Meu pai morto.
Rocco no CTI.
Rocco entubado.
Horas antes eu estava feliz.
Tão feliz.
Eu tinha acordado pensando que aquele seria um dos melhores dias da minha vida porque finalmente levaria meu pai para casa. Eu tinha passado anos esperando por alguma coisa boa. Uma única fase em que ninguém estivesse morrendo, mentindo, me abandonando ou tentando destruir a minha vida.
E tinha conseguido.
Por algumas horas.
Meu pai tinha recebido alta.
Rocco estava comigo.
Eu estava noiva.
Eu tinha levado meu pai para casa.


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