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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 416

POV: SKY BITTENCOURT

Com uma lentidão dolorosa, ele inclinou o tronco para a frente o máximo que o cinto da cadeira permitia. Encostou os lábios secos, num beijo trêmulo e desajeitado, primeiro na minha testa, depois na testa da Moon.

Aquele beijo fraco fez o meu nariz arder por dentro. Uma queimação forte subiu pelos meus olhos, a garganta travou num nó imenso e precisei fechar as pálpebras com força, mordendo o lábio para segurar o choro. Eu não queria chorar de dor. Não ali. Queria guardar aquele segundo exato no peito, porque fazia tanto tempo que não sentia tanta felicidade de verdade.

Dois enfermeiros bateram de leve na porta e entraram com a maca retrátil:

— Licença, dona Sky. Precisamos posicionar o senhor Bittencourt para a remoção.

Engoli o nó na garganta, levantei do chão e ajudei a equipe a erguer o corpo dele com cuidado, passando da cadeira para o colchão da maca. Ajeitamos o travesseiro, prendemos as faixas de segurança e esticamos o cobertor azul sobre o peito dele.

Moon e eu caminhamos lado a lado, segurando a barra de ferro da maca enquanto os enfermeiros a guiavam pelo elevador de serviço até o pátio de trás da clínica.

A ambulância já estava com as portas traseiras escancaradas.

Christian estava encostado na lateral do carro dele, logo ao lado. Deu um passo à frente, segurou a mão do meu pai por alguns segundos com respeito e olhou para mim:

— Vou colado na traseira de vocês até o prédio. Qualquer coisa na pista, eu aviso.

— Obrigada, Cris — respondi.

Eles subiram a maca pelas travas de metal e travaram as rodinhas no piso do furgão. Subi logo em seguida, sentando no banco estreito de metal colado no leito do meu pai. Moon subiu atrás de mim e sentou do outro lado, segurando a mão dele.

O motorista fechou as portas e deu a partida. O carro balançou ao pegar o asfalto quente da avenida.

Meu pai fechou os olhos, respirando calmo pela cânula do oxigênio portátil. Segurei os dedos dele na minha mão, sentindo a pele dele esquentar aos poucos com o calor da minha pele.

O celular no fundo da bolsa vibrou com um toque curto. Soltei a mão dele por um segundo, peguei o aparelho e li a mensagem da diarista:

"Dona Sky, deixei tudo no jeito. Passei pano com desinfetante na sala, troquei a roupa de cama do seu pai e a comida tá na geladeira. Ontem tinha um cheiro esquisito na cozinha, parecia bicho morto no ralo ou esgoto voltando, então joguei um litro de álcool e bastante produto forte no chão da cozinha e da sala para cortar a catinga. Até semana que vem."

Franzi a testa, relendo aquelas linhas.

— O que foi, Sky? — Moon perguntou do outro lado da maca.

— Nada — guardei o telefone de volta na bolsa, balançando a cabeça. — A mulher disse que sentiu um cheiro ruim na cozinha ontem e jogou álcool e produto no chão para cortar o cheiro. O encanamento daquele prédio velho é uma porcaria mesmo, deve ser retorno de esgoto do ralo.

O trajeto até o bairro levou quase meia hora. O trânsito estava lento, o sol do meio-dia batia forte na lataria e o ar parecia abafado. A ambulância manobrou devagar e encostou na calçada do meu prédio. Era uma construção pequena de dois andares: o piso térreo estava vazio, sem morador nenhum, e eu morava no segundo andar, bem em cima. Do outro lado da parede ficavam os outros apartamentos, com entrada separada por outro corredor.

O carro do Christian encostou logo atrás da ambulância.

Desci pela porta lateral. Christian foi direto falar com o motorista e a equipe para assinar a papelada de entrega do transporte e liberar a documentação. Moon ficou ali com ele na calçada, segurando as nossas bolsas:

— Vai subindo com a equipe, Sky — Moon falou, me entregando a chave. — Eu e o Cris assinamos tudo aqui embaixo e já subimos com as coisas.

— Tá bem — respondi.

Os dois paramédicos tiraram a maca pelas travas traseiras com cuidado. Como o prédio não tinha elevador, subimos os lances de escada larga até o segundo piso, com eles manobrando a maca com jeito nos degraus.

Cheguei na porta do meu apartamento, enfiei a chave na fechadura e abri.

"Nossa, enfim em casa", pensei, respirando fundo antes de dar espaço.

— Podem entrar, é por aqui — falei para os dois enfermeiros, apontando o caminho. — O quarto do meu pai é esse primeiro aqui à direita.

Eles entraram empurrando a maca pelo corredor.

Assim que dei dois passos para dentro da sala, senti um cheiro estranho no ar. Meu estômago embrulhou na hora, uma pontada azeda subindo pela garganta.

— Relaxa, barriguinha, estamos em casa — murmurei para mim mesma, engolindo a saliva.

Dei mais alguns passos e o cheiro doce, químico e pesado foi ficando ainda mais forte. Lembrei da mensagem da diarista falando do ralo e fui direto até o banheiro do corredor para checar.

CAP. 442 -  ENFIM CASA 1

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