POV: SKY BITTENCOURT
— Nem pensar — respondi, rindo da cara de desespero dele. — A brincadeira acabou de começar.
Desci da cama, deixando Rocco bufando preso na cabeceira, usando apenas a cueca boxer preta que estava a ponto de rasgar com a rigidez dele.
Fui direto para a bancada de madeira nobre. Apoiei as mãos na cintura e encarei o arsenal organizado. Era hora de montar o meu kit de dominadora com exatamente quinze minutos de experiência teórica.
Peguei o chicote curto de tiras finas de couro. Peguei o bastão cromado que ele tinha praticamente me implorado para não encostar cinco minutos antes. Por último, juntei a mordaça com a bola vermelha de silicone e uma vela preta aromática de baixa fusão com um isqueiro do lado.
Equilibrei tudo nos braços e voltei desfilando para a cama.
Rocco arregalou os olhos verde-esmeralda assim que viu o carregamento na minha mão.
— Que porra é essa, Sky?
— Meu material de trabalho.
— Material para quê?
— Para você.
Os olhos verdes dele passaram pelo chicote, desceram para a mordaça e travaram com pavor no bastão cromado.
— Larga esse troço.
— Qual?
— Você sabe muito bem qual.
Ergui o bastão.
— Esse aqui?
— ESSE.
— Relaxa, Rocco.
— Toda vez que você fala para eu relaxar, alguma desgraça acontece comigo.
— Que homem dramático.
— Quatro horas atrás você estava quase desmaiando na privada, ruiva! Cinco minutos atrás perguntou o que metade das coisas deste quarto fazia! Agora volta carregando um arsenal de tortura!
— Reclama menos e colabora mais.
Rocco puxou as correntes da cabeceira, o ferro estalando seco:
— Me solta.
— Não.
— Sky.
— Não.
— Minha futura esposa...
— Continua reclamando que eu começo enfiando a mordaça.
Ele fechou a boca na hora, trincando o maxilar.
Sorri, satisfeita:
— Olha só. Já tô pegando o jeito da liderança.
Peguei o chicote e bati as tiras de couro contra a palma da minha mão esquerda. O barulho estalou alto. Subi no colchão, ficando de joelhos na lateral do corpo dele.
Desci a primeira chicotada na coxa grossa dele. Não coloquei força para machucar, só o suficiente para a pele arder e fazer barulho.
O quadril do Rocco deu um solavanco contra o colchão.
Arqueei uma sobrancelha:
— Gostou?
— Você b**e igual a uma velhinha.
Minha boca abriu de indignação:
— Repete.
— Velhinha aposentada.
Desci outro estalo, dessa vez bem no peitoral dele.
Rocco contraiu os dentes:
— Ai.
— Ahá! Sentiu, né?
— Se continuar batendo com essa preguiça, talvez até terça-feira eu sinta alguma coisa de verdade.
— Rocco Blackwood, você tá pedindo para apanhar?
— Tô dando feedback técnico.
— Ninguém pediu avaliação de desempenho, engenheiro.
Passei as tiras de couro pelo peito suado dele, descendo pelas costelas.
— Tá vendo só? — comentei, empinando o nariz. — Eu sei perfeitamente o que estou fazendo.
— Você tá segurando o chicote ao contrário.
Parei a mão no ar. Olhei para os meus dedos. Olhei para a cara dele.
— Não tô.
— Tá sim.
Virei o cabo discretamente entre os dedos.
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