POV: SKY BITTENCOURT
— O que você está aprontando, ruiva?
Desci do colo dele devagar, sentindo as pernas bambas, mas sustentando a pose. Fiquei de pé ao lado da cama, puxei a barra da camiseta preta que cobria minhas coxas e estendi a mão na direção dele:
— Levanta. Vem comigo.
Rocco arqueou uma sobrancelha, desconfiado:
— Para onde?
— Não faz pergunta difícil. Só vem.
Ele saiu da cama com a agilidade de costume, o corpo enorme e musculoso ocupando o espaço do quarto. Segurei a mão pesada dele e guiei o homem pelo corredor até a porta de madeira maciça no final do hall.
A porta do quarto vermelho.
Girei a maçaneta e empurrei. O cheiro familiar de couro, cera e madeira nobre bateu no meu nariz. A iluminação embutida deixava o ambiente numa penumbra quente, avermelhada, destacando a cama de ferro no centro com os suportes de fixação nas quatro pontas. Aquele lugar sempre tinha sido o território dele, onde ele ditava cada regra e cada suspiro.
Dessa vez não.
Apontei com o queixo para o colchão:
— Deita aí. De costas.
Rocco soltou uma risadinha rouca, cruzando os braços nus sobre o peito:
— Você tem certeza de que sabe o que está fazendo?
— Rocco, deita na porra da cama antes que eu perca a coragem.
Ele deu de ombros, se rendendo ao joguinho, e deitou no meio do colchão.
Me aproximei sem perder tempo. Segurei a cintura do moletom cinza dele com as duas mãos e puxei o tecido para baixo com um puxão firme, arrancando a calça pelas pernas compridas dele e jogando o pano em qualquer canto do chão. Ele ficou apenas de cueca boxer preta, com o volume rígido desenhado contra o tecido fino.
Peguei as duas algemas acolchoadas que ficavam presas na barra superior da cabeceira de ferro. Puxei os braços dele para cima e fechei o metal revestido em couro ao redor dos pulsos grossos, travando os pinos com um clique seco.
Rocco testou a folga das correntes, os músculos dos ombros e dos bíceps retesando com a tração:
— Você me algemou de verdade.
— Achei que você gostasse de regras — debochei, subindo no colchão e sentando sobre as canelas dele.
— O que você vai fazer comigo, Sky?
— Não sei. Vou testar algumas coisas aqui.
Rocco deu uma risada baixa, a cabeça balançando contra o travesseiro:
— Você vai testar?
— Qual é a graça? Só você que pode ditar as regras nesta cobertura?
Inclinei o tronco para a frente, apoiando as duas mãos no peito nu dele:
— Você me ama, Rocco?
— Amo. Mais do que a minha própria vida.
— Você confia em mim?
Ele me encarou sem piscar, a expressão ficando mortalmente séria:
— Nem um pouco.
Franzi a testa, indignada:
— Como é que é?
— Isso não tem nada a ver com amor, Sky. Tem a ver com amor à própria vida. Eu tenho amor ao meu pescoço.
— Seu idiota — dei um tapa de leve no peito dele, rindo junto.
Saí de cima das pernas dele e fui até a bancada lateral onde ficavam os brinquedos organizados. Anos atrás, quando fui obrigada a ler aquele contrato bizarro, pesquisei algumas coisas na internet por curiosidade, mas olhar aquele arsenal de perto era uma história completamente diferente.
Passei os dedos pelas peças de couro, cordas e metais. Peguei um par de prendedores pequenos de metal com pontas emborrachadas e correntinhas prateadas.
Virei para a cama segurando os objetos:
— Posso prender isso em você?
Rocco travou o olhar nos meus dedos.
— Em mim, não.
— Por quê? Em mim você coloca.
— Porque eu sei o que estou fazendo. Você acabou de perguntar o que era isso.
— Isso é preconceito contra iniciantes.
— Isso é instinto de sobrevivência.
Olhei para os prendedores, dei de ombros e devolvi as peças para a bandeja com um estalo metálico. Limite é limite, mesmo na brincadeira.
Continuei fuçando. Achei uma tira de couro com uma bola vermelha de silicone no meio. Ergui a peça no ar:
— E isso?
— Nem pensa.
— Nossa, seria tão útil.
— Sky.
— Finalmente cinco minutos sem você dando ordem...
— Coloca isso em mim, eu arranco quando me soltar e te fodo até te deixar sem ar.
Apontei a mordaça na direção dele com um sorriso atrevido:
— Ui, acho que gostei dessa ideia — comentei rindo, sustentando a provocação. — Mas ameaças não combinam com um homem algemado.
Coloquei a bola de volta na bancada. Logo ao lado, vi um bastão pesado com acabamento cromado e detalhes emborrachados. Peguei o objeto e apertei um botão na lateral, curiosa:



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